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O presidente Jair Bolsonaro entrou para uma lista de chefes de Estado ou governo considerados “predadores da liberdade de imprensa”. A Repórteres Sem Fronteiras (RSF), uma das mais respeitadas organizações internacionais em defesa da liberdade de informação, afirmou que Bolsonaro dificulta a vida de jornalistas desde que assumiu o cargo (e que a agressividade atingiu novos níveis na pandemia).

Segundo a ONG, a marca registrada do presidente brasileiro é insultar, difamar e humilhar jornalistas vistos como muito críticos ao governo. O perfil de Bolsonaro na página da RSF diz que apoiadores do presidente lançam ataques sexistas contra jornalistas mulheres e que um dos alvos frequentes é a Globo.

Entre as 37 pessoas na lista de “predadores da liberdade de imprensa” também estão ditadores e líderes autoritários como: os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e o da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán; e os ditadores da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e da Síria, Bashar Al-Assad (veja aqui a lista completa).

Além de Bolsonaro e de “tiranos veteranos”, como Kim Jong-un e Putin, a edição 2021 do relatório cita pela primeira vez duas mulheres e um europeu. O último relatório da ONG tinha sido publicado em 2016.

Detalhes do relatório

Todos os 37 chefes de Estado ou de governo citados restringem a liberdade do exercício do jornalismo com a “criação de estruturas de censura, a detenção arbitrária de profissionais da mídia e a incitação à violência contra os jornalistas”, afirma a ONG internacional.

Há inclusive “predadores” que estão diretamente ligados a assassinatos de profissionais da mídia, como o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, envolvido na morte atroz do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

Entre os citados, 16 representam países que integram a pior posição do relatório anual da RSF sobre a liberdade de imprensa e 19 vêm de países que figuram na “lista vermelha”, onde o exercício do jornalismo é considerado difícil (caso do Brasil).

A média de idade dos chefes de governo é de 66 anos, e quase a metade dos citados (17 dos 37) entrou para a lista pela primeira vez. Mais de um terço deles (13) são da Ásia e da região do Pacífico.

“Cada um desses predadores tem um método particular. Alguns impõem o terror com ordens irracionais e paranoicas, outros criam estratégias baseadas em leis restritivas”, afirmou o secretário-geral da organização, Christophe Deloire. “Temos de impedir que suas formas de impor a repressão se tornem o ‘novo normal’.”

Bolsonaro e o Brasil

Para cada predador, a RSF publica um perfil, revelando seus métodos de repressão e censura. Sobre Jair Bolsonaro, a organização diz que o presidente brasileiro alimenta um clima de ódio e desconfiança (leia aqui o texto sobre o presidente brasileiro).

“Ameaças, agressões, assassinatos… O Brasil continua sendo um país particularmente violento para a imprensa, onde muitos jornalistas são mortos em conexão com seu trabalho”, diz o relatório.

Segundo a RSF, “o trabalho da imprensa brasileira se tornou especialmente complexo desde que Jair Bolsonaro foi eleito presidente, em 2018. Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente brasileiro”.

A crise provocada pela Covid-19 piorou ainda mais a situação. “A pandemia de coronavírus expôs sérias dificuldades de acesso à informação no país e deu origem a novos ataques do presidente contra a imprensa, que ele rotula como responsável pela crise e que tenta transformar em verdadeiro bode expiatório”.

O relatório também diz que “a mídia brasileira ainda é bastante concentrada, principalmente nas mãos de grandes famílias, com frequência próximas da classe política” e que “o sigilo das fontes é regularmente prejudicado e muitos jornalistas investigativos são alvo de processos judiciais abusivos“.
Novos e velhos tiranos

Além de Bolsonaro e Mohammed bin Salman, também entraram para a galeria dos tiranos da liberdade de imprensa o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defensor autoproclamado da democracia “iliberal”.

As duas mulheres que entraram para a lista são: Carrie Lam, que dirige Hong Kong e reprime, a mando da China, o movimento pró-democracia do território semiautônomo chinês; e a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, que comanda o país desde 2009.

Entre os “predadores históricos”, que figuram na lista da RSF há mais de 20 anos, estão o ditador da Síria, Bashar al-Assad; o líder supremo do Irã, Ali Khamenei: e os presidentes russo, Vladimir Putin, bielorusso, Alexandre Lukashenko, e venezuelano, Nicolás Maduro.

Também integram o seleto grupo os africanos Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial; Paul Kagamé, de Ruanda; e Issaias Afwerki, da Eritreia.

G1