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O Projeto Banho Cidadão, uma ação realizada por meio de parceria entre a Secretaria Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh) e a Arquidiocese da Paraíba/Ação Social Arquidiocesana (ASA), completa um ano de atuação, disponibilizando espaços que oferecem meios de higiene e cuidados pessoais para os que vivem em situação de rua e de vulnerabilidade social. Esse trabalho, aliado ao encaminhamento para tratamento da dependência de álcool e outras drogas, já possibilitou a volta ao convívio familiar para mais de 10 pessoas.

As duas casas do projeto instaladas em João Pessoa – uma no Centro e outra no bairro de Tambaú – funcionam de segunda a sexta-feira, das 9 às 15h, e disponibilizam serviços de higiene pessoal (banho, aparelho de barbear, shampoo, escova e creme dental), corte de cabelo, lavanderia. No local, os frequentadores ainda dispõem de acompanhamento terapêutico, escuta social com irmãs diocesanas, e, quando necessário, são encaminhados para atendimento médico no Hospital Padre Zé ou em outras unidades hospitalares.

A coordenadora das Casas de Banho Cidadão, Goretti Rolim, trabalha há 16 anos em atividades missionárias e lembra dos desafios diários enfrentados pelos que trabalham nas casas. “São cerca de 160 pessoas que passam todos os dias nos dois espaços, sendo que a casa do Centro possui um maior fluxo, pois é onde são maiores as possibilidades de conseguir algum dinheiro, seja como flanelinha ou “mangueinhando” (pedindo)”, afirmou.

Ela adiantou que, além dos serviços oferecidos nos dois espaços, o projeto Banho Cidadão também trabalha em parceria com entidades ou instituições que realizam tratamento da dependência de álcool e outras drogas. “Quando as pessoas demonstram interesse, fazemos o encaminhamento. Já foram mais de dez pessoas tratadas e que voltaram para o convívio familiar. O perfil do público é o mais variado, temos pessoas de todas as classes sociais, mas que desentendimentos familiares levaram essas pessoas às ruas”, conta Goretti.

Uma dessas pessoas é o pernambucano Fábio Rocha (53), que mostra cópia de registro profissional de jornalista, emitido pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJDF), e trabalhou nos Jornais de Brasília e Correio Brasiliense, além da TV Band. Ele conta que já morou na Itália, fala inglês e italiano, já trabalhou como vendedor e guia de turismo. “Cheguei há seis meses a João Pessoa, por problemas com a Justiça de Pernambuco, onde sou investigado por ameaça ao judiciário local, que me fez cumprir 30 meses de prisão. Atualmente uso tornozeleira e vivo nas ruas de João Pessoa. Fui casado por quatro vezes, a infidelidade fez com as mulheres me largassem. Estou na batalha por trabalho”, declarou Fábio.

Para o padre Egídio Carvalho, presidente da Fundação Padre Zé e coordenador da ASA, o Banho Cidadão é um projeto muito importante, que além de cuidar do externo das pessoas, também promove dignidade para as pessoas que vivem em situação de rua. “São duas casas onde acolhemos as pessoas que vivem em situação de rua e oferecemos a elas dignidade. Estas pessoas não tinham um lugar para tomar um banho, lavar suas roupas, para fazer suas necessidades. E hoje não somente recebem esses serviços, mas também são atendidas por pessoas que conversam, que encaminham para hospitais, por pessoas que elas sentem que estão ali com uma função, a de dar dignidade a vida delas. Daí a importância desse serviço nessa parceria da Ação Social Arquidiocesana, Arquidiocese da Paraíba e o Governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Humano, dar dignidade a essas pessoas que vivem em situação de rua”, afirmou Padre Egídio.