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Passar trote aos serviços de emergência é crime, causa prejuízos financeiros e sociais, no entanto, a prática continua sendo feita e diariamente ligações falsas prejudicam o atendimento a situações reais de urgência. Para se ter uma ideia, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de João Pessoa registrou, no ano de 2021, 292.148 chamadas para o 192. Destas, 36.166 foram contabilizadas como trotes.

Essa transgressão se configura crime e, quando identificado, o autor é enquadrado no artigo nº. 340 do Código Penal Brasileiro por falsa comunicação, cuja pena é detenção de um a seis meses ou multa. No Samu, quando a ligação é identificada como trote, é feito um registro em um banco de dados, sendo contabilizado em estatísticas e, posteriormente, encaminhado a delegacias e Procuradoria para providências cabíveis.  O Samu realiza, ainda, ações educativas em meios de comunicação, nas escolas, Centros de Referência em Assistência Social, Centros de Apoio Psicossocial, Unidades Básicas de Saúde, entre outros órgãos municipais.

O coordenador geral do Samu, o médico Galileu Machado, explica que aqueles que passam trotes dificultam o atendimento de quem realmente está em situação de risco, necessitando de auxílio médico. “A ligação ocupa a linha telefônica, enquanto os atendentes tentam diferenciar se a ocorrência é de fato verdadeira ou trote, além de, em muitos casos, a ambulância acabar sendo enviada para um local no qual não há necessidade de socorro”, lamenta.

Para ele, é imprescindível que a população entenda a importância de coibir essa prática de trotes, principalmente nesse período de férias escolares, já que boa parte das ligações para 192 com ocorrências falsas são feitas por crianças. “As ligações falsas interferem no tempo-resposta do Samu. O tempo de atendimento, em muitos casos, é determinante para reduzir as sequelas, tempo de internação e no aumento da manutenção de vida do paciente”, explica Galileu Machado.

Atendimentos – Em João Pessoa, no ano de 2021, foram realizados 43.805 mil atendimentos pelas equipes do Samu, destes, um pouco mais de 1.500 foram transferidos, mais de 7 mil receberam orientações e para 35.119 foram prestados socorro no local. A maior parte foi atendimentos clínicos – 13.246. Em seguida, os casos de trauma – 8.381; seguidos pelos casos psiquiátricos – 2.643; síndromes gripais – 1.301; AVC (Acidente Vascular Cerebral) – 612 e PCR (Parada cardiorrespiratória) – 599.

O serviço – O usuário deve ligar para 192, ligação gratuita que pode ser feita de telefone móvel ou fixo. São atendidas vítimas de crises hipertensivas; problemas cardíacos; intoxicação; trabalho de parto; perdas de consciência; urgências diabéticas; hemorragias; paradas cardiorespiratórias; AVC, trauma, envenenamento, afogamento, choque elétrico, queimaduras graves, além de tentativas de suicídio, urgências psiquiátricas (surtos), entre outros.