Fale Conosco

O ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, foi o único integrante do governo Bolsonaro a se manifestar após o Brasil ser anunciado pela Conmebol como a nova sede da Copa América 2021. Ao lado de Marcelo Reis Magalhães, secretário nacional dos Esportes, em declaração dada no Palácio do Planalto, ele disse que “Não tem nada certo” sobre a realização do torneio no país.

A Conmebol agradeceu a Jair Bolsonaro e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela disponibilização do Brasil para o evento mas nenhum dos dois se pronunciou sobre o assunto.

A notícia repercutiu negativamente em todo o país. O governo federal foi bastante criticado por aceitar sediar o campeonato de proporções continentais, que envolve funcionários, imprensa e membros de delegação de dez seleções sul-americanas quando o Brasil caminha para uma iminente terceira onda da Covid-19, que já vitimou mais de 460.000 brasileiros desde o início da pandemia.

Os senadores que integram a CPI da Pandemia protocolaram um pedido para o presidente da CBF, Rogério Caboclo, comparecer ao Senado para justificar a decisão, e deputados entraram com ações no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a competição.

Governadores de Pernambuco e Rio Grande do Norte anunciaram que não aceitarão receber as partidas da Copa América em seus Estados. Em São Paulo, João Doria, não se opôs ao evento.

A CBF cancelou na segunda (31) as entrevistas coletivas dos jogadores Lucas Paquetá e Fred, que estavam marcadas para o período da tarde, em Teresópolis, Rio de Janeiro, onde a seleção brasileira treina e se concentra para os jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo.

A declaração do ministro Luiz Eduardo Ramos foi o único parecer do governo federal. “Não tem nada certo, quero manifestar de forma clara. Estamos no meio do processo, mas não vamos nos furtar a uma demanda, caso seja possível, atender”, explicou o ministro da Casa Civil. “Estamos verificando detalhes. Se Deus quiser, amanhã teremos uma posição final”.

Apesar de ainda não confirmá-la ―ainda―, Ramos destacou que a Copa América não terá público e que cada delegação será limitada a 65 pessoas. Segundo ele, a vacinação de todos os envolvidos será uma condição para a participação no torneio. Não foi explicado, no entanto, como a imunização será possível a tempo do início do torneio, uma vez que a Conmebol garantiu o início dos jogos em 13 de junho, um prazo apertado demais para que qualquer vacina tenha sua eficácia completa. “As sedes serão de responsabilidade da CBF, e de acordo com as escolhas, eles irão tratar com os Estados”, acrescentou o ministro.

Por fim, Ramos defendeu a realização da Copa América ao comparar o evento de mobilização continental, que envolve vindas simultâneas de delegações de várias nacionalidades, com as competições nacionais, que acontecem com deslocamentos dentro do território brasileiro, ou sul-americanas onde apenas uma delegação de clube viaja entre países. “Por que o Brasil vai sediar a Copa América durante uma pandemia? Senhores, primeiro que foi uma demanda realizada via CBF, pela Conmebol. Outra coisa, estamos em plena pandemia, só que o Campeonato Brasileiro, que envolve 20 times na série A, 20 na série B, está ocorrendo com jogos em todo Brasil”, argumentou. “Não sei porque as pessoas se pronunciaram contra o evento, se há os jogos do Brasileiro, ocorreram jogos do estadual, Libertadores e Sul-Americana”, finalizou.

A confirmação oficial sobre a realização do torneio no Brasil deve sair nesta terça. A Copa América seria um trunfo para Bolsonaro, que defende jogos de futebol com a presença de público, e sua base mais radicalizada. “O Governo brasileiro demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental. O Brasil vive um momento de estabilidade, tem estrutura comprovada e experiência acumulada e recente para organizar uma competição dessa magnitude”, comemorou Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol.

O anúncio do evento vem dias depois de a Anvisa, a Agência de Vigilância Sanitária do Governo, recomendar a proibição da entrada de estrangeiros do Reino Unido, Índia, África do Sul e Irlanda do Norte por ao menos por 14 dias.