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Para se compreender o “flocão”, agrupamento político formado pelo PT, PP e PSC, é preciso compreender o que pensam seus líderes. Sem isso a gente interpreta apenas os fenômenos externos, não suficientes para a compreensão da decisão tomada pelo PT em lançar uma candidatura própria unilateralmente, sem consulta formalizada aos demais membros do bloco moribundo. Já se sabia (e se dizia) que esse grupo, heterogêneo na ideologia, divergente nos interesses mas homogêneo no amadorismo, teria semelhança a um “flocão” – “partícula de neve que esvoaça e cai lentamente”, dizem os lexicógrafos. Não deu outra. Agora, todos os componentes circulam por fora, atrás de outras combinações.

O “flocão” foi mentalizado por Aguinaldinho, que queria ser o pai da ideia de formar um palanque alternativo para sua presidentA em 2014, por onde manteria, às expensas da tesouraria central da reeleição, a sua própria candidatura a deputado federal e a de sua irmã a estadual. Quem sabe, o “flocão” crescesse, atraindo outras agremiações, pudesse até ir pro Senado, contanto que inviabilizasse de partida a candidatura de Veneziano ao governo e barrasse, por essa via, a ascensão de Vital Filho ao Ministério da Integração, lugar de muita ação pública governamental no Estado e na região. É um gênio.

Mas, como na política quase todos os gênios morrem como vítimas de sua própria genialidade, Aguinaldinho espantou os demais partidos que estavam soltos e olhavam a ideia de relance, amedrontados com a arte da sabedoria inventiva que montava um bloco de areia movediça de aparências enganosas. Foi ai que surgiu a contraface do monstrengo idealizado para disfarçar as verdadeiras intenções de seus criadores. E outros criativos personagens disseram: ora, se a ideia é construir uma terceira via para se contrapor aos maiores líderes do Estado, porque Aguinaldinho não sair candidato a governador, para fazer o teste de voto para ele próprio e Dilma? A ideia murchou na pergunta, simplesmente porque ideias geniais que dependem de votos são como coqueiros no semiárido que dependem de água, nem florescem na seca.

A engenharia adotada para seduzir Dilma e setores do PT terminou empacando à falta de um bom candidato e por causa da desconfiança de outros partidos de que alguém estava vendendo à presidentA um pacote eleitoral sem eleitores, tentando receber o preço de um grande carregamento de votos.

Mas, assim como o PP de Aguinaldinho, o PT pensava a mesma estratégia, os dois agora unidos para não reconhecer os méritos de Veneziano e o prestigio eleitoral do PMDB. O ideal seria substituir maranhão, Vital e Vené por Aguinaldinho e Luciano Cartaxo no comando da campanha dilmista de 2014. Tudo isso, contudo, sem saberem também o que os eleitores pensam.

Enquanto os demais partidos convidados para o “flocão” descobriram a tempo as espertezas do grupo de neve e intensificaram conversas com setores mais consistentes do tabuleiro político estadual, o PT tomou a dianteira de Aguinaldinho e lançou sua candidatura. Trata-se de uma boa candidata, lançada na fogueira interna, que queima e arde mais que todas as fogueiras de fora. Deu o creu.

Mas sobrevivem o PSC e a melhor espécie dos floquistas, o deputado Leonardo Gadelha, que entrou no grupo como o cristão ariado que entrou no inferno: como inocente. E assim como o céu não é o melhor lugar para os grandes pecadores, o inferno não é o lugar mais adequado aos românticos. 

Gilvan Freire

Este artigo integrará o futuro livro:’PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’E-mail: gilvanfreireadv@hotmail.com