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A prisão dos suspeitos de invadir telefones de Sergio Moro (Justiça) e outras autoridades, como o procurador Deltan Dallagnol, fortalece o discurso público do ex-juiz, mas não dá fim aos questionamentos que ele e investigadores de Curitiba estão enfrentando na Justiça e em conselhos de classe. Esta é a avaliação de ministros do STF e de integrantes da cúpula do Congresso. A ala do Supremo crítica à Lava Jato sustenta que o cerne do problema permanece – e está no conteúdo das conversas.

A captura pela PF dos suspeitos de invasão dos telefones foi vista como salutar por todas as alas do Supremo. Mostra, dizem, a força do aparato estatal e desestimula novos ataques.

Mas as concordâncias param por aí. A ação da PF deu musculatura à narrativa de Moro, que vincula a divulgação de suas conversas à ação de criminosos. O conteúdo foi obtido pelo The Intercept, que sempre informou tê-lo recebido de fonte anônima, sem jamais comentar a origem.

O fato de quatro pessoas terem sido presas suspeitas do crime fez o ministro de Bolsonaro dobrar a aposta nessa linha de argumentação – e é dela que se alimenta o grupo do STF ultra alinhado à Lava Jato.

Do outro lado, estão ministros que propõem uma analogia para caracterizar a complexidade da discussão: suponha-se que, com a violação de uma correspondência, descubra-se o autor de um assassinato. O fato de um crime ter gerado a informação deve anular a descoberta?

Peritos da PF acreditam que colegas que trabalharam na investigação desse caso não divulgaram pormenores da ação dos supostos hackers para evitar estímulo a outros contraventores.

A informação é da coluna Painel da Folha de São Paulo.

Da redação