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Em 90 anos de história, nunca houve uma pré-candidatura feminina para a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional da Paraíba (OAB-PB). A primeira mulher a encarar o desafio, a advogada Maria Cristina Santiago, esteve nesta quarta-feira (14) no programa 360 graus. Dentre suas motivações para disputar o cargo, está a vontade de fazer a diferença em seu entorno, principalmente neste momento pandêmico.

Com 29 anos de inscrição na OAB-PB, a advogada nunca ocupou funções de grande relevância na Ordem. Por essa razão, sua intenção de disputar a presidência causou estranhamento em alguns membros. A decisão de sair de sua zona de conforto e lançar-se candidata partiu do incômodo causado pela atual gestão, que adotou posicionamentos os quais Maria Cristina não concorda. Segundo ela, de nada adianta permanecer inerte quando algo não lhe agrada, sem procurar meios para reverter a situação.

“Chega um tempo, principalmente depois da pandemia, que nós nos preocupamos mais de fazer a diferença em nosso entorno. Então, não adianta você não concordar com determinadas decisões que são tomadas e você não sair do seu local de conforto e ocupar aqueles espaços onde, independentemente de você estar lá ou não, as decisões ali tomadas nos afeta. E foi assim que nasceu a proposta da pré-candidatura de uma Ordem onde, em 90 anos, nunca teve sequer uma pré-candidatura feminina. Então, acho que já está mais do que na hora de romper esse tabu e chegar até aqui”, declarou a advogada.

As dificuldades por ser uma mulher na disputa, infelizmente, existem. Mas isso não a desanima. Maria Cristina revela a existência de um forte preconceito estrutural, que a faz questionar sua própria competência em assumir a presidência da OAB-PB. “A gente tem que provar que tem a competência para pleitear, submeter o nosso nome à uma pré-candidatura de uma instituição que tem uma dupla finalidade, e uma delas é representar e valorizar a advocacia da qual eu faço parte”, destacou.

Sobre a dupla função institucional da OAB-PB, a advogada explica que uma delas é focada para o lado externo, em defesa da democracia e do exercício da cidadania. Por outro lado, a Ordem também tem o propósito de valorizar a classe da advocacia.

Por também ser professora da graduação de Direito, Maria Cristina confessa que, atualmente, percebe em seus alunos um certo desânimo com a profissão. Conforme seu relato, não há mais orgulho por parte dos futuros advogados com o seu ofício, ao contrário do que era visto antigamente. Ela busca resgatar a autoestima e a valorização perdida, além de extinguir a ideia de que há hierarquia entre magistratura e advocacia. “A classe da jovem advocacia tem que ser a principal bandeira da Ordem porque é justamente essa parcela que vai fazer e construir a Ordem do amanhã”, defendeu.

A advogada é firme ao sustentar que a OAB-PB é uma entidade sem partido. Ela diz que o papel institucional da OAB em defesa da democracia, deve ser contundente, para garantir que toda a categoria dos advogados possa expressar suas opiniões sem sofrer retaliações. Maria Cristina afirma que a Ordem não tem dono, embora alguns membros acreditem que possam capitanear toda a instituição.

“O que a gente percebe muitas vezes, e isso eu repudio veementemente, são algumas pessoas se assenhorarem ali da OAB como se fossem donos. Não é! A OAB é da advocacia. A OAB tem uma função institucional histórica que deve ser resgatada, de altivez e de defesa, de todo o direito fundamental do exercício igualitário da democracia”, acrescentou.

Maria Cristina Santiago ainda comentou sobre a arbitrária demissão da advogada Veruska Maciel, de Campina Grande, que após manifestar apoio à sua candidatura à presidência da OAB-PB foi destituída de sua função como secretária-geral adjunta da Caixa de Assistência dos Advogados da Paraíba. A pré-candidata repudiou a atitude, além de reiterar que a Ordem se desviou de seu principal papel institucional, de lutar pelo exercício da cidadania e pela liberdade de expressão.

“Como você pode dizer que uma pessoa que é excelente advogada, excelente prestadora de um serviço presente dentro de Campina Grande, conhecida e referenciada por todos, inclusive dentro da gestão, por manifestar apoio à uma outra pré-candidatura, ela seja sumariamente exonerada. É esse tipo de atitude que eu não aceito. A OAB não tem dono. A OAB é da advocacia. A OAB não é de ninguém. Eu realmente me solidarizo, repudio de forma veemente, contundente e repito: OAB não tem dono! Essa demissão da forma com ocorreu apequena institucionalmente a Ordem”, concluiu.

A pré-candidata a presidência da OAB-PB reafirma seu compromisso em fazer a diferença na instituição, convocando todos os advogados que desejam ter uma perspectiva nova no trato dos assuntos da Ordem para conhecerem melhor seus ideais e, depois disso, aderirem à sua candidatura.

Assista à entrevista completa: