Éramos todos porra loucas na ditadura, apesar de uns serem mais que outros. E, nos dias de domingo, nos reuníamos às oito da manhã, para provar fidelidade a causa.
É verdade que alguns chegavam de ressaca, ou ainda sob efeitos de álcool, nas reuniões de célula, mas quando o documento do comitê central começava a ser lido, causava aquele efeito de quem escuta o hino nacional no estádio em dia de jogo do Brasil.
Ali na célula da Libelu da UFPB, no Diretório Acadêmico de História, perfilados para internalizar o centralismo democrático da IV Internacional, sentíamo-nos todos heróis de capa e espada, mas à espera de um fuzil para derrubar a ditadura militar.
Confesso que ficava meio frustrado, quando recebia uma cota do jornalzinho para vender na sessão de arte do Hotel Tambaú.
Eu queria ação e me contentava com ações nas portas das fábricas e do Liceu Paraibano, mas entre a Sessão de Arte para assistir o “O homem de mármore”, relaxávamos na Feirinha e no Bar da Xoxota com uma caipirinha e um baseado.
Os domingos dos tempos da ditadura eram testes de fidelidade e resiliência. Por isso, quando a ditadura caiu, muita gente desbundou, tomou todas, fez tudo ao mesmo tempo agora, sexo, drogas e rock ‘n’ roll.
Dércio Alcântara




