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O que o brasileiro espera de Dilma? Reforma política ou a volta do crescimento?

1 de novembro de 2014
em Notícias
Tempo de leitura: 3 mins de leitura
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A presidente da República reeleita, Dilma Rousseff, tem uma prioridade. E ela não é a reforma política, mera espuma lançada no discurso de posse para agradar à militância do PT . A prioridade é fazer com que o país volte a crescer e a gerar empregos. Disso depende todo o resto, até mesmo a continuidade de programas sociais como o Bolsa Família. Para que isso aconteça, Dilma precisa recuperar a confiança dos brasileiros que trabalham, poupam, consomem, geram empregos e fazem o país crescer. Dilma se diz aberta ao diálogo, e esses brasileiros querem ser ouvidos. ÉPOCA entrevistou alguns deles.

“Confiança” é a palavra que resume tudo. É o alimento que sustenta os empregos já existentes, abre espaço para a criação dos novos e permite que ambos, o assalariado antigo e o recém-contratado, sonhem com aumentos de salário. Quando confiam que o futuro será bom, consumidores compram e empresários pensam em como vender mais. 

Por isso, medir a confiança no futuro é um exercício útil. No Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas, o exercício é feito há 20 anos. Os gráficos nesta página mostram a curva da confiança ao longo dos últimos dez anos. Fazem duas revelações interessantes.

Primeiro, que o sentimento de consumidores e empresários está igualmente ruim. Quem está de mau humor é o brasileiro, não apenas os ricos ou o mercado financeiro. A segunda revelação é que Dilma conseguiu, em seu primeiro mandato, elevar a confiança dos consumidores ao píncaro do otimismo, no primeiro semestre de 2012 – e, de lá, deixou que esse otimismo despencasse.

A confiança do consumidor e assalariado caiu por diversos motivos. Ele desanima quando o custo de vida sobe e quando a alta de juros dificulta as compras a prazo. E é sensível a mudanças no mercado de trabalho. “Uma primeira onda de queda de confiança ocorreu por causa da inflação alta, de 2013 para 2014”, diz o economista Aloisio Campelo, do Ibre/FGV. O centro da meta de inflação é de 4,5% ao ano.

Desde 2012, a inflação acumulada em períodos de 12 meses não retorna mais para abaixo dos 5%. Por isso, acertadamente, o Banco Central mais uma vez elevou a taxa básica de juros, na semana passada, para 11,25%, a fim de esfriar a economia e baixar a inflação. Isso ataca o problema emergencial, mas não contribui para o país voltar a crescer. “Mais recentemente, pesou no ânimo dos cidadãos a mudança no mercado de trabalho. O nível de emprego continua alto, mas o cidadão percebe que caiu muito a oferta de vagas novas.

Está com medo de perder o emprego”, afirma Campelo. Os índices de confiança atuais são de recessão. Prenunciam um 2015 muito difícil.

É apertar o cinto.

Com Revista Época

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