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A volta de Ricardo Coutinho ao PT já começou a afastar os membros históricos do partido. Joaci Tavares de Araújo Júnior, membro do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores, divulgou uma carta na quinta-feira (30) anunciando sua desfiliação da legenda. O anúncio foi no mesmo dia em que um evento virtual marcou a volta do ex-governador à sigla.

Em seu texto, Joaci Tavares diz que, para ele, o PT deixou de ser democrático desde 2020, quando o lulismo tomou conta do partido impondo sua “ordem tirana”, chegando até a perseguir os correligionários que se opunham as determinações nacionais. E a filiação de Ricardo Coutinho é uma prova de que a legenda se distanciou de seus ideais iniciais.

“A filiação de Ricardo Coutinho, um ditador conhecido, cheio de processos robustos de provas, inelegível, com rejeição altíssima e sem anuência da maioria dos filiados do Partido, e foi nessa hora que entendi que o partido deixou de ser a razão de ser, acabou”, diz.

Leia na íntegra a carta de Joaci Tavares:

‘FIM DA LINHA, UM DIA FUI PT!

Hoje, dia 30 de Setembro de 2021, chega ao fim minha história de filiado ao PT, muita coisa para lembrar desde 1992, alegrias e tristezas, mas agora na despedida só restaram lamentos tristes.

Ao longo dessa jornada, vi o PT nascendo, sendo construído de forma plural e democrática, muitos embates, opiniões diversas, mas sempre com viés partidário, e quase sempre sendo respeitadas as instâncias partidárias.

O PT nasceu socialista, atrelado as lutas populares, nasceu para os Trabalhadores, nasceu como um sonho para todos nós, mas a vida é real e de viés, vejam só que cilada o tempo armou, ao chegar ao poder, as novas alianças com as elites e o capital, afastaram o PT das ruas, a luta se fixou cada vez mais nos gabinetes, os embates viraram guerras de feudos, e as lutas pelo povo, se tornaram um mero detalhe cosmético, afinal o que seria uma luta popular, diante da “glória maior” de um PED?

O PT dos feudos e dos filiados, foi minguando, definhando, o personalismo idólatra foi abocanhando o PT plural, até que em 2021, o partido virou uma propriedade particular do lulismo, basta simular não existir Lula, e sabe-se o tamanho real do PT.

Confesso dificuldades nesse momento triste, mas não quero perpetuar essa tristeza, reafirmo todos os meus ideais socialistas, de esquerda, continuarei lutando sempre por um Brasil mais justo, e sem tirania anti democrática, seja da direita ou da esquerda.

Desde 2020 pelo menos, o PT deixou de ser para mim, democrático, o lulismo trouxe e impôs sua nova ordem tirana, a presidente do lulismo nacional, perseguiu companheiros eleitos democraticamente, a vítima Giucélia Figueiredo foi ameaçada e perseguida, o companheiro Anísio Maia foi caluniado e difamado publicamente, como se não bastasse, foi humilhado publicamente por lula, apoiando o candidato do PSB, Ricardo Coutinho, desprezando solenemente o candidato do PT, observem o tamanho do descolamento entre o Partido dos Trabalhadores e o Lulismo!?

Pois bem, em 2021 veio a bala de prata, o tiro de misericórdia, pelo menos para mim, o lulismo impôs ao que restou de escombros do partido dos trabalhadores da Paraiba, a filiação de Ricardo Coutinho, um ditador conhecido, cheio de processos robustos de provas, inelegível, com rejeição altissima e sem anuência da maioria dos filiados do Partido, e foi nessa hora que entendi que o partido deixou de ser a razão de ser, acabou, o lulismo é o que existe, agora também na figura persona do ricardismo, sei que alguns ainda relutarão em aceitar isso, outros dobrarão seus joelhos, e prostados servirão aos tiranos, e isso jamais aceitarei e nem farei, luto a boa luta, a possível de ganhar, essa não é uma luta justa e democrática.

 Joaci Tavares de Araújo Junior’