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João Doria (PSDB) indicou que pode desistir de sua candidatura à presidência em prol da unidade da 3ª via. Para o governador de São Paulo, a política não é um projeto pessoal e disse que todos os pré-candidatos deviam adotar o mesmo compromisso em favor do Brasil, ainda que as discussões para a corrida eleitoral estejam prematuras.

“Sou um patriota acima de tudo. Não estou na política por um projeto pessoal. Se ficarmos fracionados, não teremos uma 3ª via. Teremos Lula ou Bolsonaro sucedendo a esse governo, o que seria um desastre”, afirmou Doria ao ser questionado se abriria mão de sua candidatura. O governador participou do programa Alameras On Air, da revista Veja, publicado nessa segunda-feira (04).

“Todos nós que somos pré-candidatos temos que ter a disposição, a humildade de abrirmos mão, se necessário, em torno de um nome que pode ser vencedor”, ponderou.

Doria também afirmou que, caso perca as prévias tucanas que irá decidir o candidato do PSDB para a presidência, ele não irá sair do partido. O paulista enfrenta o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

“Não há a menor possibilidade de eu sair do PSDB nem de apoiar outra candidatura que não seja do PSDB ou a candidatura que puder engradecer a 3ª via”, afirmou.

Nesse cenário, Doria também descartou se candidatar para um novo mandato como governador de São Paulo. “Sou contra a reeleição. É constitucional, mas é um erro. A reeleição é um mal”, frisou.

Caso ganhe a prévia, o paulista indicou que apresentará uma proposta de governo liberal e “social democrata”. Segundo ele, não é possível o Brasil ter um governo completamente liberal e é preciso olhar para a população mais vulnerável.

O governador de São Paulo afirmou que gostaria ter um partido “com sentimento melhor”, ao citar os deputados tucanos que votaram a favor do voto impresso na Câmara dos Deputados. Doria destacou que é “triste” que integrantes do PSDB apoiem o governo de Jair Bolsonaro, que ele considera como o pior da história.

“A votação do voto impresso não era pelo voto impresso, era contra a democracia”, declarou Doria. O tucano afirmou ainda que foi enganado na corrida de 2018, assim como outras pessoas que apoiaram Bolsonaro, e que o presidente descumpriu suas promessas ainda no início de sua gestão.

Durante a corrida eleitoral, Doria utilizou o slogan “BolsoDoria” para angariar votos para sua candidatura a governador em São Paulo. O nome de Bolsonaro foi usado no 2º turno, mas muitos viram um apoio velado no 1º turno, apesar de seu padrinho político, Geraldo Alckmin (PSDB), estar concorrendo à Presidência em 2018.

Doria nega qualquer rompimento com Alckmin e revelou que foi o ex-governador que decidiu não disputar o Senado ou fazer parte das prévias tucanas para a candidatura ao governo de São Paulo. “Eu sou a favor da renovação. Isso não é condenação a quem já cumpriu 16 anos de mandato. Mas vamos renovar, abrir espaço para novos nomes, novas pessoas possam cuidar de uma administração”, defendeu Doria.

Em agosto, Alckmin anunciou que deve deixar o PSDB “nas próximas semanas” depois de críticas a Doria. Ele deve migrar para o PSD, de Gilberto Kassab, e concorrer ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2022.

Poder 360