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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse, na noite desta quarta-feira, que se as movimentações que ocorrem no Congresso antes da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer configurarem “desvio de finalidade aberta”, terá que “analisar e estudar a questão”. Janot evitou antecipar uma posição sobre o tema:

– Se há um jogo político, isso faz parte do jogo político. Agora, se houver um desvio de finalidade aberta, nós temos de analisar e estudar a questão. Seria leviano eu antecipar alguma informação ou juízo de valor sobre uma matéria que eu não sei. Se o orçamento é participativo, tenho de analisar a emenda dentro do orçamento participativo. Não é um cheque que o cara chega jogando.

Parlamentares da Rede e do PSOL pediram à Procuradoria-Geral da República que investigue o empenho de emendas parlamentares nas vésperas da votação da denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

COOPERAÇÃO REGIONAL

Na terceira palestra proferida nesta quarta em Washington, nos Estados Unidos, o procurador-geral destacou a expansão do combate à corrupção pela América Latina por meio da Lava-Jato. Ele disse aos presentes na George Mason University não acreditar que o Brasil diminua a corrupção endêmica sem que os países de seu entorno façam o mesmo. Sem coesão, segundo Janot, o Brasil vai acabar “exportando” corrupção para os vizinhos.

Janot comentou os esforços que já foram feitos na região, principalmente baseados no compartilhamento de informações, que os investigadores passaram a fazer inclusive por grupos de telefone celular. Ele disse que os brasileiros, do “país do jeitinho”, enfrentaram o desafio de se tornar confiáveis para as autoridades estrangeiras.

Também houve desafios internos, segundo ele, com dificuldade de articulação entre os diferentes órgãos de investigação. Mas o procurador-geral preferiu celebrar as vitórias da operação em sua passagem pelos Estados Unidos, onde ele também se encontrou com autoridades de investigação locais. Para ele, após a condenação de tantos políticos e empresários, o próximo passo é ampliar no Brasil as possibilidades de acordo penal, para não “paralisar o Judiciário”.

Fonte: O Globo