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Neste episódio em que ficamos sabendo do conteúdo de um email que o desembargador Joás de Brito teria remetido ao governador Ricardo Coutinho, cabe uma pergunta: o que levou o governador a imprimir e transformar em processo públicouma conversa reservada?

Várias respostas para a mesma pergunta podem ser especuladas, mas só um deve sair prejudicado deste episódio e não será sua excelência.

Cá pra nós, foi maldade de quem não tem compromisso e queria deliberadamente fazer o interlocutor de refém ou quem sabe até criar as condições para a abertura de uma nova vaga na função.

Sim, porque a situação do desembargador poderá se complicar se a denúncia for levada a CNJ, onde o código de ética da magistratura em seu capítulo XI deixa claro o seguinte: “Ao magistrado é vedado procedimento incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções”.

Ontem no Tribunal de Justiça a noticia que veiculamos neste espaço caiu feito uma bomba e o jovem desembargador de apenas 49 anos e com 21 de carreira pela frente, está abalado.

Para quem não lembra, ele foi indicado pelo então governador Cássio Cunha Lima, que o escolheu em uma lista tríplice, onde o atual presidente da OAB, Odom Bezerra, figurava como o primeiro.

Pouco tempo depois veio a primeira suspeição. A irmã de Cássio, Glauce Cunha Lima, havia sido nomeada para ser sua assessora e ainda o é.

Troca de figurinhas? Contrapartida? Da parte do desembargador este teria sido o primeiro lapso ético.

Na Assembléia diante de uma bancada de situação fujona e apática os deputados da oposição se revezaram na tribuna e em apartes exigindo esclarecimentos de parte a parte.

Anísio Maia tem os originais, André Gadelha quer CPI. Como a oposição conta com 15 membros e para se instalar uma CPI bastam seis assinaturas, a primeira deste governo deve ser instalada ainda esta semana.

Em tese. Pois, ninguém aqui é menino, o governo manobrará para evitar que se atinja este quorum e aí todos ficaremos sabendo quais os deputados que se fingem de oposição, mas comem na mão do governador.

Anísio, por exemplo, anda pra frente e pra trás com um requerimento para abrir uma CPI para investigar o Tribunal de Contas, mas ainda não passou de seis assinaturas.

Por que será que não alcançou as 12 se, teoricamente, 15 deputados se declaram de oposição?

Talvez agora ele consiga, pois os indícios contra o TCE são ainda mais fortes e aquele contracheque com anotações de próprio punho do governador revelou a relação politicamente incestuosa entre o conselheiro Nominado Diniz e o Poder Executivo.

Basta Anísio mudar o objetivo da CPI e ampliá-la para investigar esse episódio com o desembargador e os critérios usados para demissão e contratação de comissionados nos últimos 100 dias.

Aviso aos navegantes: do baú que saiu esta documentação tem outras na fila.