Brasil

Mesmo quando o assunto é tragédia, a diferença (política) fala mais alto que a empatia

O ano de 2019 está sendo um dos mais difíceis de se lidar – psicologicamente falando. Com o país dividido entre coxinhas e mortadelas, qualquer assunto tem se tornado motivo para desejar o mau do próximo. Duas mortes em específico revelaram a pior parte do brasileiro durante o ano.

Em fevereiro, a queda do avião no qual Ricardo Boechat estava causou a morte do jornalista. Na época, quem entrava no twitter ou no facebook ficava horrorizado com os comentários feitos sobre Boechat – seja pelo fato dele criticar governos de esquerda e de direita, seja pelo fato dele ser ateu.

Comentários do tipo “menos um esquerdista”, “já foi tarde” ou “se acreditasse em Deus estaria vivo” provocaram calourados debates sobre a falta de empatia que o ser humano demonstrava quando a opinião ou o modo de viver do próximo ia de encontro ao seu.

Nesta quarta-feira (10), a morte do jornalista Paulo Henrique Amorim também rendeu comentários horrorosos, típicos de quem nunca perdeu um ente querido. Em um tuíte, um internauta disse “boa viagem para o andar de baixo – Chávez, Fidel e Stalin vão te dar as boas vindas”. Será que esse ser humano tem bola de cristal e sabe o destino do Paulo? Eu acho que não, né?

O fato é que estamos cada dia mais distantes de um mundo justo e harmonioso. Até quando estamos diante da dor do próximo, diferenças políticas – e tantas outras – tomam à frente, nos impedindo de enxergar o outro da forma que deveríamos: com empatia e solidariedade.

Da redação

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