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O site do Jornal Folha de S. Paulo trouxe nesta sexta-feira uma reportagem que trata sobre o destino do dinheiro desviado do Ministério do Turismo. Segundo a matéria assinada por Silvio Navarro, a verba seria destinada à deputada do Amapá, Fátima Pelaes.

Leia reportagem da Folha na íntegra:

“Verba desviada ia para deputada do AP, diz petista

SILVIO NAVARRO

Um dos 36 presos na Operação Voucher, da Polícia Federal, disse em entrevista à Folha que recursos pagos pelo Ministério do Turismo a uma empresa voltavam para a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), autora da emenda parlamentar que permitiu a liberação da verba.

O servidor público Errolflynn Paixão (já solto), vice-presidente do PT do Amapá, atribuiu a informação a seu sócio na empresa Conectur, Wladimir Silva Furtado, destinatária de R$ 250 mil.

Segundo a investigação da PF, foram desviados R$ 3 milhões dos R$ 4,4 milhões liberados pelo Turismo a partir da emenda.

O dinheiro foi repassado inicialmente à ONG Ibrasi, que o repassou a empresas de fachada, segundo a PF.

“Ouvi do Wladimir que o dinheiro voltava para a deputada Fátima, é isso o que eu disse à Polícia Federal. Se repassou [o dinheiro] é outra história, aí eu não sei, mas o Wladimir me falou isso.”

A conversa, de acordo com Errolflynn, não teve outras testemunhas. “Infelizmente, estávamos só eu e ele naquele momento, mas ele falou isso para mim.”

Ele afirma que “nunca prestou serviço turístico para o Estado”. Segundo as investigações, a Conectur seria uma das subcontratadas pelo Ibrasi, mas os serviços nunca foram executados.

Errolflynn também é dirigente nacional da CUT e secretário-geral do Sindicato dos servidores federais no Estado do Amapá.

Ele disse que se afastou da Conectur em 2006, quando concorreu ao governo do Amapá pelo PT. “Fui sócio-fundador [da empresa].”

CONTRATAÇÕES

De acordo com Errolflynn, Wladimir e a deputada são amigos. “Ele trabalhou em campanhas dela para deputada”, afirmou ele.

Em 2008, Wladimir candidatou-se a vereador na cidade de Ferreira Gomes (interior do Amapá) pelo PTC.

A investigação mostra que o Ibrasi teria direcionado licitações para escolher outras cinco empresas para executar os serviços.

Além da Conectur, foram contratadas as empresas Barbalho Reis Comunicação e Consultoria (R$ 250 mil), Manhattan Propaganda (R$ 1,2 milhão), Luaxe Produções (R$ 950 mil) e Sinc Recursos Humanos (R$ 1,2 milhão).

OUTRO LADO

A deputada Fátima Pelaes classificou de ‘caluniosas’ as declarações de Errolflynn Paixão e negou o suposto recebimento de recursos.

“Meus sigilos bancário, fiscal e telefônico estão à disposição”, afirmou em nota enviada por sua assessoria. Ela diz que não tem responsabilidade pela fiscalização do convênio.

“Se alguém fica sabendo de algo tão grave assim e não faz nada, no mínimo é conivente”, disse a deputada a um blog do Amapá.

Ao blog, ela negou ser aliada de Wladimir Furtado: “Se ele fizesse parte do meu grupo, ele teria me apoiado (na eleição), e não lançado a candidatura de sua mulher”.

O Ministério do Turismo disse, em nota enviada pela assessoria de imprensa, que a subcontratação faz parte do convênio. Sobre a acusação de que os recursos enviados pelo ministério voltariam para a deputada, informou que “desconhece a prática de atos dessa natureza e, por isso, não pode se pronunciar”.

O ministro Pedro Novais é do PMDB, mesmo partido de Fátima.

Wladimir Furtado não foi encontrado ontem para comentar sobre o caso. A Folha também fez contato no celular do advogado da Ibrasi, Alessandro Brito, que estava desligado. Não houve retorno até o fechamento desta edição.

Com Folha Online