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A polêmica lei da Ficha Limpa parece ter seus últimos dias de impasse. O STF, em sessão que ainda não terminou, estava para decidir sobre dois principais pontos: se a lei retroage sobre fatos passados e quanto a fixação do prazo de oito anos de inelegibilidade.

De acordo com a votação que está prestes a ter fim, os ministros do Supremo entenderam que sim, que a lei deve retroagir quando o suposto candidato foi condenado por uma corte colegiada e deve ficar inelegível pelo período de oito anos.

A decisão do STF que deu a Cássio a possibilidade de se apropriar da cadeira de Wilson Santiago foi que a Ficha Limpa não valeria para as eleições de 2010. Contudo, a lei passou a vigorar em julho de 2011 e Cássio só foi diplomado em outubro do mesmo ano, ou seja, ele foi diplomado de maneira irregular.

Esse é o mais forte argumento que a defesa de Wilson Santiago vai alegar junto à justiça na hora de cobrar o mandato de volta. Ao lado de Santiago estão a maioria dos ministros que já se posicionaram a favor da revisão dos processos de candidatos que tem “pendências” em seus processo, como é o caso de Cássio.

Mais uma vez, o quase ex-senador está numa corda bamba. Mal chegou a “esquentar o banco” no Senado Federal e já está arrancando os cabelos e se articulando para não ter que sair.

Cássio tem motivos para se preocupar, ainda mais porque a inelegibilidade complica a possível candidatura do Cunha Lima ao Governo do Estado em 2014. Se sair, ele fica sem mandato e sem perspectiva de voltar ao poder.

Isso por um lado, vai fazê-lo mudar o tom com o governador Ricardo Coutinho. Evitar o confronto, preparar uma reaproximação, afinal sem Coutinho, Cássio perde o apoio do Governo do Estado, da Prefeitura de João Pessoa. Ele já havia perdido a prefeitura de Campina Grande e se ficar assim deve voltar a falar na AACD, que foi rapidamente esquecida quando não serviu mais aos interesses do tucano.

Essas decisões desenham um quadro ainda mais instável para Cássio. Ele precisa mais do que nunca ganhar a prefeitura de Campina Grande e vê ao seu lado um pré-candidato que está longe de decidir a questão.

Não duvido nada que em breve Diogo Cunha Lima, filho de Cássio, seja apresentado como o pré-candidato. Nos bastidores, tudo já está sendo preparado.

Falta só o primogênito de Cássio deixar de lado seus medos e dizer sim ao pai. Uma segunda boa opção para o impasse, seria lançar Sílvia, que teria grandes chances. Mas, a timidez e a falta do traquejo político afastam a ex-primeira dama da disputa.

Até lá, muita água vai rolar (já entrando em ritmo de carnaval).