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O primeiro cardeal criado pelo papa Francisco é o ex-núncio apostólico no Brasil arcebispo italiano dom Lorenzo Baldisseri, conformeinformações exclusivas obtidas pela reportagem do Estado. O ex-núncio é o ex-embaixador da Santa Sé no Brasil. Como de praxe, a criação do novo cardeal deve ser oficializada no futuro numa cerimônia oficial (chamada consistório).

A nomeação ocorreu logo ao fim do conclave, retomando uma antiga tradição católica. Durante muito tempo na História da Igreja, o papa costumava elevar imediatamente ao cardinalato o bispo que atuava como secretário do colégio cardinalício, que também é o secretário do conclave. Ele é responsável, por exemplo, por queimar os votos no fim de cada escrutínio e colocar o chapéu branco (solidéu) no novo papa. Em troca, recebe do pontífice recém-eleito o antigo chapéu vermelho de cardeal, em forma de agradecimento.

“O papa de fato fez dom Lorenzo cardeal durante o conclave, retomando uma tradição que Paulo VI havia quebrado”, afirmou o padre Michelino Roberto, da Arquidiocese de São Paulo, que está em Roma e confirmou a informação junto ao cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. “Foi um gesto muito simples, que para muitos passou despercebido. Mas ontem Dom Lorenzo realmente apareceu na missa com os outros cardeais”, acrescentou.

Portanto, Baldisseri é o primeiro cardeal nomeado pelo papa Francisco, cujo pontificado começou já no momento em que aceitou ser o novo “sucessor do apóstolo Pedro”.

O Vaticano não divulgou a informação oficialmente, pois tudo ocorreu ainda dentro do conclave, onde os atos são sigilosos. Ontem, d. Lorenzo apareceu discretamente na primeira missa do papa Francisco usando um solidéu vermelho, junto aos cardeais eleitores do conclave (foto). A imagem passou despercebida também pelos espectadores e pela imprensa internacional, que só puderam assistir à missa pela TV.

Atualmente, a principal função de Baldisseri é a de secretário da Congregação para os Bispos, cujo prefeito é o cardeal Marc Ouellet. Dom Lorenzo Baldisseri, de 72 anos, foi o representante do papa no Brasil durante quase dez anos, de 2002 a 2012, e tinha como principal função intermediar nomeações de bispos pra o País e as relações entre a Santa Sé e o Estado brasileiro. Agora como cardeal se torna um dos homens de confiança do papa.

Estadão