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Começou mal, muito mal, pessimamente a primeira viagem de Jair Bolsonaro ao G20, grupo que reúne os líderes das maiores economias do planeta. A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron manifestaram preocupação com o descompromisso do governo brasileiro em relação à preservação do meio ambiente. Bolsonaro e sua comitiva deram respostas atravessadas.

Os alemães “têm a aprender muito conosco” em matéria de meio ambiente, disse o capitão, antes de avisar: “O presidente do Brasil que está aqui não é como alguns anteriores, que vieram para ser advertidos por outros países.” O general Augusto Heleno, ministro palaciano e principal conselheiro do presidente, respondeu no atacado disse aos chefes de Estado que criticam a política ambiental do Brasil: “Vão procurar a sua turma!”.

A frase do general é multiuso. Mas nenhuma de suas utilidades serve aos interesses comerciais do Brasil. Vão procurar a sua turma pode ser lido como “não encham o saco”, “desapareçam da minha frente”. Se derem ouvidos ao conselho Merkel, Macron e outros líderes podem interromper as negociações para a celebração de um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Seria um desastre para o Brasil.

O desastre seria ainda maior se Bolsonaro cedesse à tentação de tomar o partido dos Estados Unidos na guerra comercial que o governo de Donald Trump trava com a China. Corre-se o risco de a China, maior parceira comercial do Brasil, mandar Bolsonaro procurar a sua turma. O capitão e o general precisam conter os seus humores. Quando ficam fora de si, exibem o que têm por dentro. E isso não é bom para os negócios.

A análise é do colunista Josias de Souza do UOL.

Da redação