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Assassinato de Marielle envolveu agentes do estado e políticos, diz Jungmann

8 de agosto de 2018
em Brasil, Política
Tempo de leitura: 3 mins de leitura
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O ministro Raul Jungmann (Segurança Pública) afirmou que a dificuldade no esclarecimento dos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes ocorre por conta do envolvimento de agentes do estado e de políticos no crime. As declarações foram dadas no programa “Entre Aspas”, da Globonews, na noite de terça-feira (7).

Questionado a respeito da demora na elucidação do crime, Jungmann declarou que vê duas grandes dificuldades.

“Em primeiro lugar é o fato [de] que é difícil de lhe responder. Com as informações que tenho, eu não posso trazer todas aqui porque senão eu criaria problemas para a própria investigação”, declarou.

“Em segundo lugar, a complexidade. O que eu posso dizer a você: esse assassinato da Marielle envolve agentes do estado. Envolve, inclusive, setores ligados seja a órgãos de setores do estado, seja a órgãos de representação política”, continuou sem citar nomes.

A jornalista Mônica Waldvogel, que apresenta o programa, perguntou se seriam ramificações dentro do parlamento e da própria polícia.

“Eu diria que sim. Esse é um dos problemas que existe. A complexidade deriva do profissionalismo com que [os assassinatos] foram feitos e com o fato de que eles têm uma rede de intersecção, que eu poderia chamar daqueles que têm interesse de que eles acontecessem e que, aparentemente, você tem que chegar e comprovar isso”, respondeu o ministro.

“Daí a grande dificuldade que você tem para esclarecer o caso de Marielle”, prosseguiu, acrescentando que acredita que os assassinatos serão elucidados até o final deste ano e que a inteligência federal está à disposição para ajudar nas investigações da Polícia Civil, responsável pelo inquérito.

Ele relembrou os assassinatos da juíza Patrícia Acioli e do pedreiro Amarildo, cujos casos levaram até três meses para ser solucionados. “É verdade que [o caso] Marielle já ultrapassou isso [o tempo de resolução], mas isso se deve à complexidade e à teia das relações que se estabeleceram para se chegar a essa tragédia”, afirmou Jungmann.

Marielle e Anderson foram assassinados em 14 de março no Estácio, região central do Rio. Nenhum suspeito foi apontado oficialmente como responsável pelas mortes. O inquérito do caso corre sob sigilo.

No início de maio, uma testemunha, em depoimento à Delegacia de Homicídios do Rio, disse ter presenciado conversas entre o vereador Marcelo Siciliano (PHS) e Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, apontado como chefe de uma quadrilha de milicianos, nas quais supostamente teriam discutido o assassinato de Marielle. O depoimento foi revelado pelo jornal “O Globo”. Os dois negam qualquer participação no crime.

À polícia, o delator narrou que as conversas sobre a morte da vereadora teriam começado em junho do ano passado depois de ela ter passado a promover ações comunitárias em bairros da zona oeste –os quais, embora controlados por traficantes, seriam de interesse da milícia.

Preso preventivamente por outros dois crimes (homicídio e posse ilegal de armas), Araújo afirmou na ocasião que a testemunha é um PM da ativa que estaria agindo por vingança.

De acordo com a testemunha, após a morte de Marielle, pelo menos dois outros assassinatos foram cometidos como “queima de arquivo”: dois dias depois da morte de Alexandre Cabeça, em 8 de abril, foi assassinado a tiros o subtenente reformado da PM Anderson Claudio da Silva, suspeito de envolvimento com milicianos. No entanto, as informações dadas pela testemunha ainda não foram confirmadas na investigação.

Há duas semanas, a polícia prendeu dois possíveis suspeitos de envolvimento nos homicídios da vereadora e de seu motorista. Eles foram presos por outro crime, contudo, e não foram formalmente indiciados pelos assassinatos de Marielle e Anderson. Uol.

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