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Pressionado por 131 pedidos de impeachment e uma paralisação de caminhoneiros com reflexos na economia, o presidente Jair Bolsonaro recuou do tom adotado nos discursos nos atos de 7 de Setembro e passou a elogiar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Durante o feriado da Independência, Bolsonaro chamou Moraes de “canalha” e prometeu desobedecer decisões do magistrado. Agora, disse que as declarações foram feitas no “calor do momento” e que não teve “nenhuma intenção e agredir quaisquer dos Poderes”.

As ameaças antidemocráticas do presidente no 7 de Setembro resultaram em resposta dura do Supremo no dia seguinte. O presidente da Corte, Luiz Fux, afirmou que as ameaças do chefe do Executivo representam um “atentado à democracia”, que, se levadas adiante, configuram “crime de responsabilidade”. “Ninguém fechará esta Corte”, ressaltou.

Nota divulgada

O texto da nota foi elaborado com a ajuda do ex-presidente Michel Temer, que Bolsonaro mandou buscar em São Paulo para uma reunião no Palácio do Planalto. “A harmonia entre eles (Poderes) não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, inicia o texto assinado pelo presidente.

A insistência de Bolsonaro em alimentar a crise institucional também ajudou a debilitar ainda mais a economia. Apenas na quarta-feira, as empresas com ações na Bolsa perderam R$ 195,3 bilhões em valor de mercado. Na quinta-feira, em um movimento súbito após o recuo do presidente, a Bolsa brasileira (B3) fechou com alta de 1,72% e o dólar, em queda.

Na reunião com Temer, que durou cerca de quatro horas, o ex-presidente propôs que Bolsonaro fizesse um gesto de pacificação entre os Poderes, avaliando que somente isso poderia evitar que a crise se tornasse incontrolável. Temer lembrou que precisou lidar com uma greve dos caminhoneiros em 2018 e que o País quase parou por causa disso. O Estadão apurou que Bolsonaro conversou com Moraes por telefone e avisou que divulgaria a nota.

Ministros do Supremo, porém, adotaram nesta semana um tom de cautela e atribuíram o recuo do presidente em relação às ameaças da véspera por “medo de algo” e preferem esperar para ver se a “bandeira branca” se manterá erguida.

 

 

 

Estadão.