Lula foi o meu herói de juventude e para vê-lo na presidência lhe dediquei dias e noites traiçoeiras nos anos de chumbo. Se você passou a juventude na balada saiba que tenho inveja de você, pois curti só um pouquinho dos embalos de sábado à noite e rápido me deixei consumir nas reuniões intermináveis das células da OSI, organização trotskista clandestina que militei entre os 15 e os 20 e poucos anos.
Hoje não vejo mais Lula como um vetor que impulsionará o Brasil na direção certa. A contribuição dele já foi dada e dois mandatos e agora no bastidor da gestão Dilma. São 12 anos de poder e mais do que isso já considero ditadura.
Até que não acho Dilma uma presidência ruim e se analisarmos que todas as experiências laboratoriais da gestão petista deixaram para estourar em suas mãos concluiremos que ela é uma santa.
O problema dela é que se fechou em copas e desenvolveu uma fobia popular. Tem pânico de políticos e de povo.
Quando fui convidado para uma coletiva no Ministério da Integração, ainda no aeroporto de Brasília, ponderei com outros blogueiros convocados às pressas se não tinha tocado algum tipo de alarme no bunker da reeleição e a nossa presença ali não significaria o inicio de uma reação via redes sociais.
Tinha tocado sim. As coisas estavam fáceis de mais e as pesquisas linearmente davam sua gestão como unanimidade e sabemos que toda unanimidade é burra.
Aliás, por falar em pesquisa concordo com o deputado federal Ruy Carneiro quando aconselha todos os atuais governadores a rasgarem as pesquisas que encomendaram até agora.
O jogo foi zerado e o pé do gigante esmagou intenções de voto de norte a sul, de leste a oeste.
Dilma, Sérgio Cabral, Alckmin, Eduardo Paes e Haddad foram os mais atingidos pela cartase popular, mas isso não quer dizer que aqui na Paraíba Ricardo Coutinho não tenha amargado perdas.
Voltando a Lula, não acredito que o brasileiro queira “chavear” ao oferecer ao ex-presidente o título de salvador da pátria.
Se for para olhar para o retrovisor com medo do que o futuro nos reserva na próxima curva, então vamos trazer o FHC de volta e vamos batizar a próxima eleição de a volta dos que já foram.
Se o gigante acordou que logo aprenda a olhar pra frente, pois, como dizia Belchior, “o passado é uma roupa que não se veste mais” e, como sempre dirá Jesus, “olhai os lírios do campo”.
FHC, Lula, Dilma e Ricardo Coutinho tiveram suas chances. A roda gira e – nunca pensei que usaria esse chavão da ditadura – esse é um País que vai pra frente.
Dércio Alcântara


