Pelos mesmos motivos que na Paraíba, o aumento exponencial de veículos de comunicação, uns com responsabilidade e grande audiência, outros meros balcão de negócios, os institutos de pesquisa se proliferam e apresentam resultados surreais e se descredibilizam.
O DATAFOLHA trouxe hoje uma pesquisa onde até a possibilidade de Lula desistir foi ventilada, tendo sido Fernando Haddad jogado na mureta de especulações, como substituto de uma eventual desistência de Lula por conta dos números apertadíssimos.
Na verdade, após o desfile das escolas de samba, as pesquisas registraram um pequeno recuo das intenções de voto no Presidente, acompanhado de um avanço da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Aqui, como alhures, pesquisa deixou de ser termômetro do momento para ser instrumento de desconstrução ou alavancagem.
É preciso cautela, pois temos bons institutos na Paraíba, como também temos no Brasil. Não estamos acusando exatamente nenhum de desonestidade.
Questionamos a chuva de pesquisas com resultados díspares confundindo a cabeça do eleitor, mesmo compreendendo que cada um tem sua metodologia.
A Paraná Pesquisas, mais ligada à direita, diz que Flávio passou Lula; o DATAFOLHA, tida como mais ligada a esquerda, revela Lula na frente. Em quem acreditar?
Aqui na Paraíba a ANOVA viu Cícero dez pontos na frente de Lucas, mas o Instituto Setta divulgou que a diferença é só de cinco pontos, apesar de Dataranking fotografar Cícero dando de 2 pra 1 em Lucas na região metropolitana da Capital.
Os institutos de pesquisa no Brasil estão diante de um grande desafio: não banalizar as pesquisas para não se autoimplodirem.
Dércio Alcântara
#pesquisaseleitorais




