Antes de embarcar para a Coreia do Sul neste domingo (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço da visita oficial à Índia e classificou a missão como estratégica para ampliar a presença brasileira no cenário internacional.
“É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil. Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo”, afirmou.
Segundo Lula, o Brasil atua com base em interesses comerciais e em parcerias de benefício mútuo.
“Nós não temos preferência comercial. O Brasil tem interesses comerciais. E o faremos com quem quiser fazer, desde que seja uma política de ganha-ganha.”
Comércio exterior em expansão
O presidente lembrou que, há 21 anos, celebrou o marco de US$ 100 bilhões em comércio exterior. Atualmente, o volume gira em torno de US$ 649 bilhões.
“Eu espero que, dentro de algum tempo, a gente possa comemorar um trilhão de dólares de comércio exterior”, declarou.
Em relação à Índia, Lula destacou entendimento firmado com o primeiro-ministro Narendra Modi para que o intercâmbio bilateral alcance US$ 20 bilhões até 2030 — meta que, segundo ele, pode chegar a US$ 30 bilhões. Em 2025, o fluxo comercial entre os dois países superou US$ 15 bilhões, com crescimento de 25% em relação ao ano anterior.
11 acordos governamentais assinados
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, detalhou que foram assinados 11 acordos governamentais durante a visita.
Entre as áreas priorizadas estão:
Defesa e aviação civil e militar
Comércio e investimentos
Saúde e indústria farmacêutica
Ciência, tecnologia digital e minerais críticos
Energia, espaço, educação e cultura
Um dos destaques foi a assinatura da Parceria Digital para o Futuro, além de instrumentos nas áreas de propriedade intelectual, serviços postais, empreendedorismo e certificados de origem.
Missão considerada a mais produtiva
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O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, classificou a viagem como a mais profícua da atual gestão.
Segundo ele, o Brasil inaugurou escritório da Apex em Nova Délhi, que já está em funcionamento, e iniciou a inserção de produtos brasileiros em grandes redes varejistas indianas. Castanha, açaí, limão e outras frutas começam a chegar a pelo menos 40 lojas, com expansão prevista para Mumbai.
Viana também anunciou a expectativa de criação de um voo direto entre Nova Délhi e o Brasil, o que deve impulsionar o comércio e o turismo.
Relação com os Estados Unidos
Questionado sobre a relação com os EUA e o presidente Donald Trump, Lula afirmou que pretende tratar o diálogo de forma ampla.
“Eu quero conversar com o Trump pessoalmente sobre a importância da relação civilizada entre Brasil e Estados Unidos”, disse, defendendo tratamento igualitário entre os países.
Sobre a política tarifária norte-americana, avaliou que medidas protecionistas podem gerar inflação nos próprios Estados Unidos.
Reforma da ONU e fortalecimento do BRICS
Lula também voltou a defender a reformulação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), criticando a ausência de países da África e da América Latina como membros permanentes.
“Por que a Índia não está no Conselho de Segurança? Por que o Brasil não está? É preciso fortalecer a ONU para que ela volte a ter eficácia.”
Ao abordar o BRICS, o presidente afirmou que o bloco representa quase metade da população mundial e contribui para o equilíbrio geopolítico.
“O BRICS é um jeito da gente ter o equilíbrio geopolítico no planeta Terra”, declarou, mencionando ainda o papel do banco do grupo como instrumento de fortalecimento do Sul Global.
Brasil busca previsibilidade e credibilidade
Encerrando a entrevista, Lula atribuiu o momento internacional favorável ao trabalho de reconstrução da imagem do país.
“Foi com muito trabalho que conseguimos oferecer previsibilidade, estabilidade fiscal, econômica, social e jurídica. Hoje o Brasil é um dos países de maior credibilidade em nível internacional.”
A missão à Índia consolida a estratégia do governo de ampliar mercados, diversificar parceiros e fortalecer o protagonismo brasileiro em fóruns globais.




