O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu adiar para o dia 25 de março o início da votação que vai analisar as decisões que suspenderam o pagamento de penduricalhos nos Três Poderes. Esses benefícios, concedidos a servidores públicos, são verbas que, somadas aos salários, ultrapassam o teto remuneratório constitucional, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.
Apesar do adiamento, permanecem em vigor as decisões já proferidas pelos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que determinaram a suspensão dos pagamentos considerados irregulares.
Julgamento começou, mas foi interrompido
O caso começou a ser analisado na sessão desta quinta-feira (26), mas, diante da complexidade do tema e dos impactos institucionais e financeiros, os ministros optaram por adiar a deliberação para aprofundar a análise.
A discussão envolve o pagamento de verbas indenizatórias e adicionais que permitem que remunerações ultrapassem o teto constitucional do funcionalismo público — correspondente ao subsídio dos ministros do STF.
O que determinam as decisões
Em 5 de fevereiro, Flávio Dino determinou a suspensão de penduricalhos que não estejam expressamente previstos em lei. A medida deve ser aplicada pelos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo nas esferas federal, estadual e municipal.
A decisão fixou prazo de 60 dias para que os órgãos revisem as folhas de pagamento e suspendam verbas que não respeitem o teto constitucional.
Na terça-feira (24), Gilmar Mendes também proferiu decisão suspendendo pagamentos considerados extrateto a juízes e membros do Ministério Público.
Acordo para regulamentação
No mesmo dia das decisões mais recentes, o STF e a cúpula do Congresso Nacional deram início a discussões para regulamentar o pagamento dessas verbas. Ficou acertado que será elaborado um conjunto de regras de transição para disciplinar os chamados “penduricalhos” e estabelecer critérios objetivos sobre o que pode ou não ultrapassar o teto.
A regulamentação foi uma das determinações previstas na decisão de Flávio Dino e busca uniformizar o tratamento do tema em todo o país.
Impacto institucional
O julgamento é considerado sensível por envolver:
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A autonomia administrativa dos Poderes;
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O cumprimento do teto constitucional;
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O impacto financeiro nas contas públicas;
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A remuneração de magistrados, membros do Ministério Público e outras carreiras do serviço público.
A decisão final do Supremo poderá consolidar entendimento sobre quais verbas podem ser classificadas como indenizatórias e, portanto, eventualmente excluídas do teto — e quais devem obrigatoriamente se submeter ao limite constitucional.
Com o adiamento, o tema retorna à pauta no dia 25 de março, quando o plenário deverá definir se mantém ou revê as decisões liminares já em vigor.




