O “sim” de Cícero foi espartano, uma renúncia que poucos teriam coragem de praticar, coisa de monge tibetano jejuando e de andarilho peregrinando.
Mesmo diante da gigantesca e desproporcional diferença estrutural dos adversários, Cícero meditou no deserto, foi tentado pela serpente, mas juntou os seus 300 e vai à luta pela fé.
É como aquela passagem bíblica do “olhai os lírios do campo”, um visível desprendimento de quem deixa quase três anos de uma prefeitura muito rica, para pregar descalço entre os desvalidos.
O autruismo de Cícero chega até ser xiita, se comparamos o que move a candidatura de Lucas. Cícero abre mão de um tesouro para perseguir um sonho; Lucas é o avatar de um projeto milionário, imperial e familiar.
Cícero é bala e Lucas espoleta. Um olha os lírios e o outro os louros. Cícero já foi tudo e, pelo legado, quer concluir governador; Lucas não foi quase nada e quer ser governador para devolver o poder ao seu núcleo familiar.
Dércio Alcântara




