O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (21), em Nova Délhi, do Fórum Empresarial Brasil–Índia 2026. O encontro reuniu autoridades, lideranças empresariais e representantes de setores estratégicos dos dois países para debater desafios e oportunidades de cooperação.
Durante o evento, o Brasil formalizou uma série de parcerias com o país asiático, com foco em tecnologia, defesa, saúde e inovação.
“Eventos como este impulsionam o desenvolvimento nacional e o avanço de tecnologias inovadoras. Também atraem investimentos que geram oportunidades e renda para os trabalhadores. A distância entre o Brasil e a Índia é apenas um detalhe diante do potencial de nossa amizade”, afirmou Lula.
Meta de US$ 20 bilhões em comércio bilateral
O presidente destacou o compromisso firmado com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para ampliar o intercâmbio comercial entre os dois países.
“Nos comprometemos a trabalhar para chegarmos a 20 bilhões de dólares de intercâmbio em poucos anos. Não será surpresa se em 2030, ao invés de 20 bilhões, chegarmos a 30 bilhões de dólares em comércio. É só correr atrás”, declarou.
Lula também enfatizou a competitividade da indústria brasileira, especialmente nos setores aeronáutico e espacial.
Acordos da Embraer na Índia
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Segundo o presidente, acordos assinados pela Embraer com o Grupo Adani e a Mahindra permitirão a produção de aeronaves comerciais e de defesa na Índia.
“Não queremos apenas vender. Queremos comprar, investir e consolidar nossa presença na Índia, com transferência de tecnologia e formação de pessoal”, afirmou.
Parceria digital e cooperação tecnológica
Lula anunciou ainda a assinatura da primeira Parceria Digital do Brasil com outro país, que prevê cooperação em inteligência artificial, computação de alto desempenho e apoio a startups de base tecnológica.
O acordo de Cooperação em Micro, Pequenas e Médias Empresas também foi firmado, com foco na troca de experiências e no fortalecimento de um setor considerado estratégico para a geração de empregos.
Saúde: R$ 10 bilhões em medicamentos oncológicos para o SUS
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) para a produção nacional de medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS).
O investimento estimado é de até R$ 722 milhões no primeiro ano, podendo chegar a R$ 10 bilhões ao longo de dez anos.
Os medicamentos contemplados são:
Nivolumabe — voltado ao tratamento de câncer de pele e outros tumores;
Pertuzumabe — indicado para câncer de mama;
Dasatinibe — utilizado em leucemias.
A produção do nivolumabe envolverá a Bahiafarma, a Bionovis e a Dr. Reddy’s Laboratories.
Já o pertuzumabe será fabricado por meio de parceria entre a Bahiafarma, a Bionovis e a Biocon Biologics do Brasil.
O dasatinibe será produzido em cooperação entre a Fundação para o Remédio Popular (FURP), a Biocon Pharma e a Nortec Química.
Fiocruz amplia cooperação internacional
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou dois Memorandos de Entendimento com farmacêuticas indianas.
Um dos acordos foi firmado com a Biocon Pharma, voltado à transferência de tecnologia e produção de tratamentos para doenças raras, câncer e terapias imunossupressoras. Outro foi celebrado com a Lupin, prevendo desenvolvimento conjunto de medicamentos para doenças infecciosas negligenciadas, como tuberculose, malária, hanseníase e doença de Chagas.
Também foi prorrogado por cinco anos o Memorando de Entendimento bilateral em saúde entre Brasil e Índia, ampliando a cooperação em biofabricação, vacinas, insumos farmacêuticos ativos, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial.
Expansão da ApexBrasil na Ásia
O Fórum Empresarial foi organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Durante a missão presidencial, foi inaugurado o primeiro escritório da ApexBrasil em Nova Délhi, o 11º escritório internacional da agência, reforçando a estratégia de expansão global e presença institucional na Ásia.
Ao encerrar sua participação, Lula citou a ex-primeira-ministra indiana Indira Gandhi:
“O futuro não chega por si só — precisamos desejá-lo. Vamos ao trabalho.”
A missão presidencial consolida a Índia como parceiro estratégico do Brasil em tecnologia, defesa, saúde e comércio, sinalizando uma nova etapa de cooperação entre as duas maiores democracias do hemisfério sul.




