Em conversa com apoiadores na manhã destas segunda-feira (06), o presidente Jair Bolsonaro (PL) admitiu que é possível a existência de corrupção em seu governo. Entretanto, o chefe do Executivo nacional reafirmou que qualquer denúncia que chegue até ele será investigada.
“Não vou dizer que meu governo não tem corrupção, porque a gente não sabe. Se tiver qualquer problema no meu governo, a gente vai investigar. Não posso dar conta de mais de 20 mil servidores comissionados, ministérios com mais de 300 mil funcionários. A grande maioria são pessoas honestas”, comentou Bolsonaro, em declaração transmitida por um canal bolsonarista.
Em outras ocasiões, o presidente reiterou, por diversas vezes, que nunca se ouviu falar de um caso de corrupção durante sua gestão. Por outro lado, também sempre frisou que, caso houvesse denúncias, ele seria o primeiro a investigar. As comemorações pelos mil dias de governo, no fim de setembro, também trouxe como mote a ausência de corrupção.
Nas imagens divulgadas pelas redes sociais, a Secom colocou que o governo é “constitucional, eficiente e fraterno” e “sério, honesto e trabalhador”. As peças de propaganda ressaltaram os “mil dias pela liberdade, sem corrupção e de entregas para os brasileiros”.
Poucos dias antes, em 21 de setembro, Bolsonaro fez seu discurso na abertura da 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e, entre outros tópicos abordados, mencionou esse assunto. “Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção”, disse, à época.
Além das diversas denúncias de “rachadinha”, nas quais membros da família do presidente são citados, um relatório do Banco Mundial, divulgado no mês passado, revelou que a cada 10 servidores públicos federais, seis já testemunharam atos de corrupção.
Realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério da Economia e a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), a pesquisa ouviu 22.130 servidores, no período entre 28 de abril e 28 de maio de 2021. Segundo o material veiculado, durante a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, as práticas antiéticas aumentaram. Para 55% dos funcionários públicos entrevistados, interferências políticas prejudicaram a atuação de órgãos da administração direta.
Metrópoles