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RIO – Mais de sete meses depois da explosão do surto de ebola na África Ocidental, potenciais medicamentos contra o vírus começam a gerar resultados positivos em laboratório. O diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, anunciou nesta terça-feira (16) que o primeiro teste clínico de uma vacina no país não provocou reações adversas em pacientes.

Desde fevereiro, a doença já causou a morte de mais de 2.461 pessoas em 4.985 casos, de acordo com o último registro da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado nesta terça-feira.

Os países mais afetados são Libéria, Guiné e Serra Leoa.

Desenvolvido anos atrás pela empresa GlaxoSmithKline, o fármaco já tinha dado bons resultados em testes com macacos. No entanto, desde o dia 2 de setembro, 10 voluntários se prontificaram a receber a vacina. Em audiência no Senado dos Estados Unidos, Fauci declarou que os primeiros sinais foram positivos.

– Até agora, não há evidência que indique reações graves – disse o diretor.

Outras 10 pessoas receberam as injeções nos próximos dias, totalizando 20 voluntários de 20 a 50 anos e em bom estado de saúde. Os resultados completos deste estudo estarão disponíveis no fim do ano. Já no Reino Unido, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oxford fará a análise clínica da mesma vacina em outros 60 voluntários.

Também nesta terça-feira, ao anunciar o envio de três mil solados à Libéria para ajudar nos esforços contra a epidemia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o ebola é “uma ameaça à segurança global”. Ele disse elevará a responsabilidade dos EUA no papel de combate ao vírus e que o “mundo esperava uma resposta do país”.

Os três mil soldados americanos terão a missão de construir 17 postos de saúde, treinar 500 agentes médicos e voluntários civis e distribuir cerca de 130 mil kits de primeiros socorros. A base de comando dos EUA será instalada em Monróvia, capital da Libéria. Além disso, serão destinados U$ 500 milhões diretamente do orçamento da Defesa, verba normalmente usada em guerras como a do Afeganistão.

Na coletiva de imprensa, Obama declarou que a epidemia o aumento da epidemia poderia ter “profundas implicações políticas, econômicas e de segurança”. O presidente americano disse ainda que o surto chegou a níveis intoleráveis na África Ocidental, com “hospitais lotados e pessoas morrendo nas ruas”.

MÉDICO SEM FRONTEIRAS

O diretor de operações do Médico sem Fronteiras (MSF), Brice de la Vingne, comemorou o anúncio de auxílio americano.

– Embora não tenhamos visto detalhes oficiais, valorizamos a ambição do novo plano de resposta ao Ebola dos Estados Unidos, que parece atender o escopo do desastre que está se desdobrando na África Ocidental – afirmou.

Ele ratificou, ainda, que é necessário que essa “recente promessa”, juntamente com outras feitas por uma série de países, deve ser colocada em prática “imediatamente”.

– Hoje, a resposta ao Ebola continua perigosamente insuficiente e muitas vidas estão sendo perdidas.

Precisamos que mais países se mobilizem, precisamos de mais ação concreta em campo, e precisamos disso agora – disse e se mostrou otimista, ao afirmar que a ajuda pode começar a “reverter a tendência dessa luta, a qual estamos perdendo coletivamente, contra o Ebola”.

O GLOBO