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As reações nas redes sociais ao atentado terrorista contra a sede da revista semanal de humorCharlie Hebdo demonstram solidariedade às vítimas e defesa da liberdade de expressão. Ao menos doze pessoas morreram em decorrência no ataque em Paris, nesta quarta-feira.

Um dos comentários na página da publicação no Facebook afirma: “Solidariedade ao Charlie Hebdo e LIBERDADE DE EXPRESSÃO!!!”. Um trecho de outro post vai na mesma linha: “As palavras não matam, o espírito e o humor são riquezas, mas para compreendê-los é preciso humanidade e inteligência.”

“Eu sou muçulmano, não moro na França, mas apresento meus sinceros sentimentos às famílias das vítimas e toda minha solidariedade à Charlie Hebdo. Esses criminosos não são muçulmanos, são bárbaros sanguinários desequilibrados”, diz outro post. Uma mulher também se identifica como muçulmana e se solidariza com os familiares das vítimas. “É preciso saber que o Islã não são os muçulmanos, é uma religião revelada por Deus. Os muçulmanos são seres imperfeitos que tentam praticar essa religião, mas que cometem erros e pecados. Matar inocentes, como fazem os terroristas, é proibido no Islã. Isso não faz parte da minha religião e essas pessoas não podem se considerar muçulmanos.”

Concentração – A hashtag #JeSuisCharlie (eu sou Charlie) tem concentrado a maior parte dos comentários. Moradores de Paris estão usando a frase para organizar vigílias em homenagens às vítimas em várias partes da cidade na noite de hoje. 

CAÇA AOS TERRORISTAS

Uma operação policial de grandes proporções está em curso na França para localizar três terroristas que atacaram a sede da revista satírica Charlie Hebdo, nesta quarta-feira em Paris. Homens mascarados e armados com fuzis AK-74 mataram dez jornalistas e dois policiais, e deixarem cinco feridos em estado grave.  O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, disse que as autoridades estavam tomando todas as medidas “para neutralizar os três criminosos”. O terceiro terrorista teria ficado do lado de fora do prédio esperando em um veículo.

Segundo o jornal Le Monde, mais de 3.000 policiais participam da operação de busca, que também conta com helicópteros e serviços de inteligência. Entre as vítimas identificadas estão o editor da revista e cartunista, Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, e três outros cartunistas: Jean Cabut (que assinava como Cabu), Georges Wolinski e Bernard Verlhac (conhecido como Tignous). O redator e economista Bernard Maris, que contribuía para a Charlie Hebdo, também foi morto.

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Durante o atentado, por volta das 11 horas locais (8 horas de Brasília), parcialmente filmadopor testemunhas nos prédios vizinhos, os agressores gritavam “Alá é grande”, em árabe. A chargista Corinne Rey, que assina como Coco, presenciou o ataque e afirmou ao site francês L’Humanité que os terroristas “falavam francês perfeitamente” e “reivindicaram ser da Al Qaeda”. 

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Os terroristas inicialmente seguiram pelo Boulevard Richard-Lenoir, no centro de Paris, em direção ao norte da cidade. Eles então abandonaram o carro perto da estação de metrô Porte de Pantin, onde pegaram outro carro, depois de ordenar que o motorista saísse do veículo. Pouco depois do atentado, o alerta de terrorismo foi elevado para o mais alto nível na região da Île de France, departamento francês onde fica a capital Paris. As escolas do bairro onde aconteceu o atentado foram evacuadas e a polícia foi mobilizada para proteger redações de jornais, centros comerciais, museus e estações ferroviárias e de metrô.

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Multidões nas ruas – Horas depois do atentado, as ruas de Paris e de várias cidades da França foram tomadas por multidões em solidariedade às vítimas. Em Lyon, entre 10.000 e 15.000 pessoas foram às ruas; em Rennes, entre 13.000 e 15.000, em Toulouse, mais de 10.000, em Nantes, Lyon e Estrasburgo, cerca de 5.000 pessoas, segundo o jornal Le Figaro.

A agência France-Presse fala em mais de 100.000 manifestantes em toda a França. Em outras cidades europeias, como Berlim e Londres, também estão ocorrendo vigílias em solidariedade à revista que foi alvo dos terroristas.

Em pronunciamento, o presidente François Hollande anunciou que esta quinta será um dia de luto nacional. “Ao meio-dia, um momento de silêncio será observado nos estabelecimentos públicos, as bandeiras ficarão a meio mastro durante três dias”, afirmou. “Nossa melhor arma é a nossa união. Nada pode nos dividir”. 

Com Vejaonline