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O mês era junho, o ano 2002. Minha empresa Imagic gerava o sinal da TV Miramar e minha sociedade com a Fundação Virgílius da Gama e Melo me rendiam piadas como as que eu ouvia de amigos dizendo que eu tinha entrado para o seleto grupo dos proprietários de emissoras de TV na Paraíba. Eu era um Dércio Carlos Cavalcanti.

Antes da aventura de gerar um canal de TV, gostaria de falar de minha amizade com Vitalzinho, então deputado estadual do PDT de Chico e Neto Franca, meus amigos e clientes.

Ele era deputado estadual e muitas vezes fazia do meu escritório o seu e todos os funcionários da empresa eram loucos por ele. Especialmente minha família.

Ele era o líder do governo Maranhão e tinha me chamado para fazer campanha em Campina, a de um irmão seu que eu ainda não conhecia, era vereador e atendia pelo nome de Veneziano.

Vitalzinho seria candidato a deputado estadual e Veneziano a federal e foi aí que eu conheci “os irmãos coragem”.

Vitalzinho se elegeu e Veneziano ficou na primeira suplência com quase 50 mil votos. Um fenômeno, principalmente porque não tinha base estadual e só em João Pessoa recebeu mais de 5 mil votos sem fazer um único comício.

Ano seguinte labutei na árdua tarefa de gerar uma emissora educativa ao vivo e sem nenhum apoio do governo Cássio, mas em 2004 resolvi ceder o contrato a João Gregório e partir para Campina, onde criei os conceitos da campanha do Cabeludo a prefeito.

Na primeira visita a cidade em pré-campanha peguei um taxi e perguntei se o taxista conhecia o vereador Veneziano, que tinha excelente atuação, mas não era popular no sentido assistencialista da palavra.

– Como é o nome do cara mesmo? Não. Não conheço! – disse-me o primeiro.

– Pelo sobrenome deve ser filho do advogado Vital do Rego, irmão de Vitalzinho, mas nunca ouvi falar por aqui – me disse outro.

Quase voltei com as malas. Desde janeiro eu vinha veiculando na mídia do PDT um VT onde só aparecia gente fazendo o V com os dedos e ninguém do jurídico cassista ou da Justiça Eleitoral tinha percebido que era “merchan” de Vené.

O jingle do filme cantava “eu quero ver a minha gente feliz, eu quero ver Campina Grande avançar, eu quero ver alguém que honra o que diz, eu quero ver a nossa história mudar…” Ao final o locutor pontuava: PDT, Campina em primeiro lugar.

Estava criado ali o conceito do escuro e do claro, da noite e do dia. Campina queria o “V” de Veneziano.

Hospedado no Hotel Vale do Jatobá eu conversava toda manhã com seu Jatobá e Juraci Palhano e deles ouvia histórias de outras campanhas.

Alguém me disse que Veneziano tinha visual diferente e que haveria discriminação ao seu estilo ripongo e aí levamos Vené aos templos e lembramos que Jesus era cabeludo e Vené começou a ser chamado de o Cabeludo.

Era óbvio. Quando você olhava pra ele o cabelo era o que mais lhe sobressaia e marcava, Então ele era o Cabeludo.

A campanha avançou, fiz minha parte e fui citado por Vitalzinho na primeira reunião após a virada do primeiro para o segundo turno como um dos responsáveis pelo feito, ao lado de Alexandre Almeida.

A vida providenciou obstáculos, fui para um lado e os “irmãos coragem” para outro e agora em 2010 nos reagrupamos para, se Deus quiser, nunca mais esbarrarmos nas pedras do meio do caminho.

Alguém pode achar esquisito amizade entre jornalistas e políticos, insinuar que gera parcialidade e dependência. Não no meu caso. Quem me conhece sabe que esse blog é independente, tem altivez e não se deixa atrelar.

Posso citar como exemplo um episódio recente em que eu sendo amigo do deputado Wellington Roberto e trabalhando na assessoria do seu filho Caio pedi demissão por não concordar como o deputado votou numa matéria a favor do governo RC, de quem sou crítico ferrenho e respondo dezenas de processos impetrados pelo próprio governador. Sai da assessoria de Caio, mas não abalei minha amizade com a família, mantendo até hoje o mesmo nível de respeito e amizade ao amigos Wellington, Caio e Bruno.

Sou assim, sou autêntico e muitas vezes os adversários ou pessoas invejosas se aproveitam das opiniões que expresso aqui para criar atritos entre grupos, a exemplo de minhas teses sobre o jeito quiabo de fazer política do grupo Ribeiro.

Minha opinião é só minha e não quis estendê-la a Vitalzinho ou Veneziano, que têm pontos de vista e avaliações de conjuntura diferentes da minha. Peço desculpas a ambos se os coloquei em saia justa, longe de mim querer agregar complicações aos amigos.

Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço e, por favor, não misturem alhos com bugalhos, pois o blogueiro é um e o marqueteiro é outro.

Não se misturam, apesar de ser a mesma pessoa.

A tese que defendi continua de pé, mas é uma conjectura só minha e o tempo dirá se estou certo ou não.

EM TEMPO A quem interessar possa, aviso que criei mais uma vez um conceito tão bom quanto o V e vou vencer de novo. Chupa essa manga…ou decifrem a equação abaixo.