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O candidato a governador Tárcio Teixeira (PSOL) divulgou uma carta no início da tarde deste domingo (07) para apoiar à candidata a deputada estadual do seu partido, Fátima Santos. No documento, Teixeira ainda afirma que o arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, deveria voltar suas energias para atacar os programas de meio dia repletos de ódio, violência e sangue. Ele também sugeriu que o religioso parasse de criticar o seu partido por defender os direitos da comunidade LGBT no guia eleitoral. A polêmica entre o arcebispo e o partido de Teixeira teve inicio na última sexta-feira quando o religioso católico declarou que o beijo gay exibido na propaganda eleitoral do PSOL foi um ato de apelação.

Confira o que diz a carta:

DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014

Se Dom Aldo é Contra a Família, eu as Defendo! 

O Presidente do meu Partido já se posicionou sobre o assunto, mas eu não poderia deixar de tratar da forma desrespeitosa como Dom Aldo Pagotto tratou o Programa Eleitoral da nossa Candidata a Deputada Estadual pelo PSOL, a companheira Fátima Santos, mais uma vez vítima da homofobia.

Enquanto os Filhos das Oligarquias – sejam as crias dos Cunha Lima, dos Wilson ou dos Efrain – em seus Programas Eleitorais pregam o ódio aos adolescentes envolvidos em atos infracionais, Dom Aldo gasta seu tempo em atacar os que defendem o amor e as famílias.

No sentido contrário do Papa Francisco que afirmou que não se deve marginalizar as pessoas por sua orientação sexual, avançando ao dizer que essas pessoas devem ter seus direitos garantidos, o Arcebispo da Paraíba volta suas energias para dizer que a comunidade LGBT quer aparecer e não defender seus direitos. Por qual motivo o Arcebispo da Paraíba não volta suas energias para atacar os programas de meio dia repletos de ódio, violência e sangue? Por qual motivo Dom Aldo não canaliza suas forças para os filhos das oligarquias e se junta as Pastorais Sociais na jornada em defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes contra a redução da maioridade penal?

O que fez Dom Aldo, simplesmente possibilitou espaço para um dos Senadores de Cássio (Walter Brito), esse sim, querer aparecer; um candidato que faz uma campanha com um transferidor, propondo girar 360º e parar a Paraíba no mesmo lugar, não tem autoridade política para querer aparecer em um debate sério como esse.

É inadmissível pregar o ódio em detrimento do amor e se colocar contras as famílias. Perdi meu pai aos 03 anos de idade, sei o que sofreu minha mãe por ser mulher, viúva aos 19 anos, e ter que cuidar dos filhos com a coragem da mulher guerreira que ela é. O que não dizer do preconceito da expressão “filho de mãe solteira”, como se a família tivesse obrigatoriamente que ter um homem dizendo o que deve ou não fazer; minha amada mãe também sofreu com essa esquizofrenia social ao nascer meu terceiro irmão. A família homoafetiva também sofre com essa tentativa de impor um modelo único de família.

Minha maravilhosa mãe, vencedora dessa jornada chamada vida, enfrentou (e como toda mulher, segue enfrentando) o patriarcado impregnado em nossa sociedade. A companheira Fátima Santos sofre uma carga de preconceito ainda maior por, além de Mulher, ser Negra e Lésbica.

BG