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Só raramente se sabe como funcionam os bastidores de uma eleição, especialmente a que elege o chefe do poder executivo, em qualquer nível da administração pública, federal, estadual e municipal. É sobre o cargo de chefia do Executivo onde se concentram os grandes interesses de pessoas ou grupos, e também os negócios, muitos dos quais escusos, tomando por base o padrão moral dominante na política.

Partidos, líderes, candidatos, financiadores e gatunos contumazes do dinheiro público, todos ficam aquartelados e vigilantes para saber a hora mais certa para dar as primeiras investidas, quando não já deixaram as coisas previamente acertadas. Aliás, faz parte da engenharia as chamadas ‘operações casadas’, em que os candidatos ficam conhecendo durante a campanha suas obrigações perante os financiadores e colaboradores mais exigentes e ousados, porque muitos são velhos conhecidos no submundo da malandragem eleitoral e alguns podem até já ser parceiros de outros carnavais. Se houver vitória, haverá preço a ser pago.

CHEGOU A HORA DA VERDADE NA CAPITAL

Essa história da malandragem que permeia a atividade política no curso de uma eleição e depois dela é apenas parte de um iceberg gigantesco que flutua no mar de lama em que transformou-se a vida pública no Brasil, e crassa pelo interior do país nos últimos tempos.

Do outro lado da linha, há ainda outros compromissos secretos. São aqueles que não são assumidos publicamente, via de regra não muito republicanos, que podem significar a reserva de espaços na administração. É o famoso loteamento de cargos, que todos os candidatos são compelidos a assumir, pois há certos figurões carimbados que adoram essas tentativas inidôneas, que hoje são revelados até solenemente. Trocar favores e cargos públicos por apoios virou um ritual, uma liturgia desavergonhada mas plenamente aceita pela sociedade e pelos costumes políticos da era pós-moderna.

Mas esse caso de Roseana Meira, que exige o cargo de secretária da saúde com apoio incondicional de Luciano Agra, tem uma conotação um pouco diferente. É um novo estilo, inovador e interessante.

O que quer e porque quer Roseana Meira? É simples: ela quer o cumprimento de um compromisso de bastidores da eleição na Capital, assumido precisamente por quem ganhou a prefeitura, Luciano Cartaxo, sob testemunho e fiança de Luciano Agra.

Criou-se um verdadeiro impasse: Luciano Cartaxo prometeu, o cargo é seu, mas agora não quer pagar o compromisso. Roseana só está querendo o que foi prometido e pactuado, porque mais do que ninguém sabe o que fez na Secretaria e nos bastidores da ‘guerra dos girassóis’ (a revolta dos mal amados) para que Cartaxo ganhasse.

A situação é delicada. Roseana passou a impor sua autoridade sobre o cargo que pertence a outra autoridade. Luciano Cartaxo vacila entre a autoridade dele e a dela. E ambos, e não o povo, sabem por que um tem mais autoridade sobre o outro.

De qualquer forma, fica a impressão de que a prefeitura foi loteada antes e durante a eleição. E o principio da autoridade também foi. Essa é a novidade.