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Vamos combinar: se não fosse o apoio do prefeito Luciano Cartaxo, o governador Ricardo Coutinho poderia inclusive ter perdido a eleição já no primeiro turno. Quando assumiu a aliança com Ricardo, Luciano levou junto a grife PT, tempo de guia, e sua militância em João Pessoa, onde RC apresentava índices elevados de rejeição e certamente não teria o desempenho que teve sem essa parceria.

A força do PT mobilizada nestas eleições pode ser constatada na votação obtida por Lucélio, candidato ao Senado, em João Pessoa. Foram quase 220 mil votos, afora 54% dos votos de Bayeux e 41% de Santa Rita. Uma votação praticamente casada com a do governador nesses colégios. E não houve a devida reciprocidade em outros redutos, onde RC se saiu melhor, mas não ancorou Lucélio.

Por isso, a essa hora, o prefeito Luciano provavelmente deve estar se perguntando, onde ele e o PT erraram na relação com Ricardo Coutinho a ponto de, primeiro, ele nomear o ex-senador Efraim Morais como coordenador-geral da campanha e, depois, avalizar a instalação de comitês com Aécio Neves. Algo que, obviamente, esvazia a candidatura da presidente Dilma no Estado.

Aliás, tem sido de impressionar a versatilidade de Ricardo Coutinho nestas eleições. No começo da campanha, escondia dissimuladamente o ex-governador Eduardo Campos, e flertava abertamente com a presidente Dilma. Quando Dilma esteve em João Pessoa, para a formatura de uma turma do ProJovem, RC foi um anfitrião mais efetivo do que o prefeito Luciano.

Quando Marina Silva assumiu a campanha e subiu nas pesquisas, Ricardo cuidou logo de trazer a presidenciável à Paraíba, e posou como seu aliado mais fiel. Quando Marina sucumbiu nas urnas do primeiro turno, Ricardo saltou para a barca mais segura do PT e logo anunciou apoio a Dilma no segundo turno. Porém, bastou Aécio se estabilizar em primeiro nas pesquisas, e já são criados comitês Ricardo-Aécio. De fato, muito versátil.

BHM