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O comentário mais sensato que ouvi até agora sobre os 100 dias de gestão socialista do governador Ricardo Coutinho saiu ontem da boca do deputado petista Luciano Cartaxo durante entrevista ao Correio Debate.

“Ricardo e sua equipe vivem no túnel do tempo e ao invés de planejarem o futuro perdem tempo culpando o passado pelo que deixam de fazer no presente”, disse o Luciano.

E ele tem razão. Não há planejamento nessa gestão e parece que o governador não estava preparado para vencer a eleição.

Basta que você acompanhe a entrevista do próprio Ricardo ou de algum auxiliar seu que logo ouvirá a enjoada retórica de por a culpa de tudo no governo anterior.

Se é verdade que há uma insatisfação de grande parte da população com epicentro a partir daquelas pessoas atingidas pelas decisões bruscas, também é verdade que existe uma fatia significativa acreditando que o governador vai repetir a performance como prefeito e ainda este semestre se recuperar perante a opinião pública.

Realmente, a esperança é a última que morre e acho coerente quem votou nele se manter na expectativa de que faça um governo diferente.

Por outro lado, quem critica e se mostra decepcionado não é masoquista para querer o pior para si próprio torcendo para que se instale o caos administrativo, pois também seria atingido pela tsunami política.

O que não se admite mais é um governo chegar aos 100 dias batendo cabeça e sem respostas para quase nada a não ser culpar quem não tem mais poder de decisão e o passado, como diria Belchior, é uma roupa que não se veste mais.

Outra observação de Luciano Cartaxo me deixou preocupado. Ele, que conviveu com Ricardo quando foi seu líder na Câmara, chegou à conclusão que é da natureza do governador não se dobrar as evidências.

“Não há planejamento e não haverá diálogo, isso faz parte do jeito centralizador de Ricardo”, avaliou.

Resta saber se o governo vai atabalhoado até o fim ou se em algum momento corrigirá seus equívocos, assumindo culpas e parando de repassá-las.

Cá pra nós, a Paraíba encheu o saco dessa fulanização. Ricardo venceu a eleição, mas rejeita o ônus dos problemas da gestão e quer só o bônus como se ainda estivesse no palanque prometendo.

Perguntar não ofende: ele vai assumir os seus erros quando?