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Ontem não fui à reunião do PMDB para não me deixar contaminar pelo que os personagens que lá estavam queriam aparentar.

Preferi circular em seus arredores para colher uma impressão menos pasteurizada.

Almocei com um prefeito peemedebista histórico, conversei com dois ex-secretários, liguei para vários assessores e, meio sem querer, acabei ouvindo da boca de um deputado estadual a frase mais usada pós-reunião: foi tranqüila.

Aliás, antes da reunião começar o deputado Benjamin Maranhão já postava esse chavão no Twitter.

Como pode um partido que está sendo duramente atacado e esfacelado convocar uma reunião para avaliar estragos e o conceito geral ser esse: foi tranqüila.

Me movimentei mais ainda para filtra e lá pelo finalzinho da tarde alcancei Zé Maranhão e ele com aquela voz de monge tibetano me disse que, apesar de não ter terminado ainda de trocar as penas – referindo-se aquela frase de que passarinho em época de muda não fala – falou e ouviu os correligionários e chegaram ao consenso de que o PMDB precisa ampliar a consulta para tomar decisões e para tanto vai realizar três encontros com lideranças para definir seu rumo.

Onde está a novidade? O PMDB nunca radicaliza sem esgotar o diálogo, mas também nunca flexibiliza sem pelo menos fazer de conta que ouviu todo mundo.

Se Maranhão se expressou bem quando falou a palavra “encontros”, tive a nítida impressão que o velho guerreiro finalmente voltou ao batente e decidiu voltar a liderar.

Mais que isso, vai interiorizar e sondar a quantas anda sua liderança nesses encontros.

Alguém aí duvida que o cacife de Maranhão cresce proporcional a queda de popularidade do governador Ricardo?

Recluso ele deixou Ricardo livre para fazer o sarapatel que fez; de volta ao seu espaço de principal contraponto ele mede forças e tira conclusões sobre uma coisa que ninguém tem coragem de botar em pauta: há alguma liderança maior que a de Zé Maranhão no PMDB?

Zé Maranhão volta à cena e volta na hora certa. Precipitaram-se aqueles que foram cedo demais para um governo que ainda nem sabe quem são seus aliados ou adversários.

É que a decisão do STF reabilitou Cássio e a Paraíba voltou a se dividir entre maranhistas e cassistas.

E a reabilitação de um pólo automaticamente reabilita o outro.

Mas é bom lembra-se do ditado que diz que os contrários se atraem.

Que tal no próximo encontro perguntar com quem o PMDB deve se aliar em um futuro próximo?

E os expurgos? A porta do PMDB é larga e nunca fecha. Quem foi pode voltar que a conjuntura mudou e ninguém se perde no caminho de volta.

A oposição tem um líder e esse se chama José Targino Maranhão. E ninguém tem coragem de questionar sua precedência por um motivo muito simples: ninguém lá tem mais votos que ele.