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Apesar de a constatação só ter vindo através da descoberta de um grampo ambiental na sala do presidente da Assembleia, antes do final de janeiro já se ventilava a suspeita de que o núcleo duro do governo Ricardo Coutinho estaria recorrendo a expedientes ilegais para monitorar aliados e adversários.

Quando circulou a notícia de que o secretário de Comunicação Nonato Bandeira planejava agregar à Secom a área de inteligência da Segurança Pública, incluindo-se aí a P2 e o sistema Guardião, logo chegou-se a conclusão que entre querer e já está operando era tão elementar quanto dois e dois são quatro e agora ele acumula a função de “ouvidor geral da Nova Paraíba”.

Tenho ouvido relatos de amigos espantados com a velocidade com que uma confidência corre, principalmente se falada ao telefone. Muitos, inclusive, soltaram balões de ensaio e logo em seguida checaram o vazamento via grampo.

Seria então Nonato Bandeira o nosso Rupert Murdoch? Estaria o Governo tão inseguro a ponto de nos primeiros dias recorrer a escutas telefônicas e outra arapongagens para não cair em ciladas?

Primeiro quero dizer que não acredito que nenhum P2 queira servir a um governador que virou as costas para a Polícia Militar.  Mas, não sou ingênuo e sei que existem mercenários dispostos a fazer o serviço sujo.

Não estou especulando, estou afirmando: o Governo Ricardo Coutinho está usando o sistema de escuta telefônica para monitorar políticos, jornalistas, empresários, membros do judiciário e até correligionários.

A mesma fonte que me entregou os documentos que vazaram a troca de emails entre um desembargador e o governador, que hoje estão em poder do presidente do Tribunal de Justiça, Abraham Lincoln, me entregou uma lista com 38 pessoas que foram grampeadas.

Ao que me parece, Nonato Bandeira, secretário que teve o seu edital barrado pelo TCE por diversas irregularidades, é o nosso Murdoch, aquele mega empresário envolvido com grampos que escandalizaram o primeiro mundo.

Será que Nonato é de fato Nonato Murdoch Bandeira? O deputado Anísio Maia disse que vai levar o caso a uma discussão mais profunda no Plenário e que pode virar tema de uma sessão especial.

Acho que a bancada de oposição deveria aproveitar a suspensão do edital da Secom por irregularidades, juntar as coisas e convocar Nonato para se explicar na Assembleia.

Em tempo: soube que tem gente se juntando para levar o caso ao conhecimento do Ministério da Justiça.