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Quase um terço (31%) das instituições de ensino superior brasileiras tiveram desempenho considerado insatisfatório no Índice Geral de Cursos (IGC) de 2011, o principal indicador de qualidade do Ministério da Educação (MEC).

Das 1.875 instituições que receberam conceito do MEC, 577 obtiveram notas 1 ou 2, numa escala que vai até 5. Também foi apresentado o resultado de 2011 de outro índice, o Conceito Preliminar de Curso (CPC), que faz uma avaliação por curso, e não por instituição. De 6.324 cursos com conceitos divulgados, 976 (15%) tiveram notas insatisfatórias (1 ou 2).

No caso das notas de instituições, em relação a 2008, houve uma diminuição de 35% para 31% na proporção de faculdades, centros e universidades com avaliação insatisfatória e um aumento de 9% para 12% no percentual com boas avaliações (conceitos 4 ou 5). A maioria dos cursos e das instituições teve nota 3.
O IGC, indicador de instituições, é o resultado da média trienal ponderada do CPC, que avalia cursos. A avaliação do MEC leva em conta um ciclo de três anos.

Como em anos anteriores, as instituições públicas se saíram melhor que as privadas e as universidades (instituições de maior porte e com obrigação de investimento em pesquisa) têm, em média, avaliações melhores que os centros universitários (instituições com mais autonomia que faculdades, porém menos obrigações que as universidades) e faculdades.
O CPC (conceito que serve de base para o índice das instituições) é calculado a partir de três áreas: desempenho dos estudantes; infraestrutura e organização didático-pedagógica; e professores. Em 2011, os cursos avaliados foram das áreas de ciências exatas, licenciaturas e áreas afins, além dos cursos dos eixos tecnológicos.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fez interpretação positiva da diminuição da proporção de cursos com conceitos insatisfatórios. Segundo ele, programas governamentais, como o Prouni e o Fies, foram decisivos para a melhora das notas.
– A avaliação é uma política pública de qualidade, com resultados muito concretos. Os instrumentos de estímulo como Prouni (bolsas para estudantes de baixa renda em instituições privadas) e Fies (de financiamento estudantil) também contribuíram decisivamente – disse o ministro.

Mercadante também afirmou que as universidades, que em geral têm notas melhores, respondem por 53,9% das matrículas no ensino superior, ou seja, mais da metade. Os centros universitários têm 13,7% do total. As faculdades, 30,9%. O Censo da Educação Superior contabilizou 6,7 milhões de alunos de graduação, em 2011.

O ministro afirmou que o MEC pretende ser rigoroso com as instituições que tiveram notas ruins. E pediu para os alunos não boicotarem o Enade, um dos componentes do índice:
– Ainda há instituições nos níveis 1 e 2. Algumas evoluíram, e outras mantiveram quadro estável, o que é inaceitável. Não é recomendável que o estudante preste vestibular para instituição nível 1. E mesmo nível 2 tem que olhar com muito cuidado, muita prudência. Não queremos que nossos estudantes estudem em níveis insuficientes.

 

Fonte: O Globo