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Como inteligentemente frisou em seu artigo de hoje o jornalista Ricardo Noblat (O Globo), a delação do fim do mundo – apelido das revelações feitas à Justiça pela Construtora Odebrecht – reduziu praticamente a pó as perspectivas dos caciques tucanos na disputa presidencial vindoura.

Aécio Neves – que já estava ‘bichado’ – entrou agora na UTI política. Com denúncias de ter recebido R$ 30 milhões em caixa-dois na conta de amigos para atuar em favor de negócios da empreiteira, o mineiro está completamente fora do páreo.

Na mesma vala, entraram José Serra, ministro de Temer, e até Geraldo Alckimin, tido e havido como o dono do bico mais comedido entre seus companheiros.

Nem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – cabeça coroada do PSDB –  ficou de fora, entrou na roda e vai precisar se explicar.

O aprofundamento e julgamento das acusações não virá antes das eleições de 2018. Até lá, os tucanos conviverão com o desgaste político, ainda que num futuro possam obter salvação jurídica.

Os efeitos se espraiam pelos Estados. O senador Cássio Cunha Lima – líder político de notável influência aqui na Paraíba – também enfrentará seu calvário e apontamento dos adversários na disputa à reeleição.

Ao invés de desconstruir seu principal obstáculo, Ricardo Coutinho, precisará gastar saliva e tempo dando explicações e na defensiva. Posição pouco confortável para um líder de oposição com a tarefa de criticar o governo de plantão.

A Lava Jato tem sido uma grande roda viva da política. Em passado recente, dizimou o PT. Agora, neutraliza o principal partido da oposição.

E pensar que o PSDB saiu consagrado das urnas em 2016… A política é mesmo dinâmica, Manoel Gaudêncio.

Fonte: Heron Cid