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Seis meses após o primeiro caso de covid-19 no Brasil, fato ocorrido em 26 de fevereiro passado, a Paraíba contabiliza mais de 100 mil casos confirmados da doença e 2.350 óbitos, conforme último boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde. Nesse período, o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e vinculado à Rede Ebserh, tem dado sua contribuição ao enfrentamento do coronavírus no Estado, sendo uma das instituições de saúde de referência para assistência de casos suspeitos ou confirmados de covid-19. Até hoje, cerca de 400 pacientes com suspeita ou confirmação de contaminação pelo Sars-COV-2 receberam atendimento no HULW.

“Nesse período, o Hospital Universitário teve, e está tendo, um papel importante na assistência de saúde aos pacientes vítimas de coronavírus em nossa cidade — e em nosso Estado — e participou ativamente da construção do plano de contingência municipal e estadual, incluindo a elaboração do próprio plano de contingência do hospital em parceria com a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), traçando novos rumos para o hospital em 2020”, afirmou o médico Moisés Diogo de Lima, titular da Gerência de Atenção à Saúde (GAS/HULW).

Como em todo o mundo — ressaltou o gerente da GAS — todos os planos destinados a 2020 sofreram modificações radicais e no Hospital Universitário não foi diferente. “Por motivos de aglomeração de pessoas, fomos obrigados a suspender as atividades ambulatoriais, como consultas e cirurgias eletivas, e a redesenhar o hospital, com criação de fluxos de acesso para triagem de pacientes e estabelecimentos de novos protocolos assistenciais, para essa nova dinâmica no enfrentamento da covid-19”.

Para Moisés Diogo de Lima, esses seis meses também significaram um período de muito aprendizado, tanto para os gestores quanto para os demais colaboradores do Hospital Universitário. “Nossas gerações nunca evidenciaram, de forma tão próxima, de forma tão concreta, uma pandemia. Isso exigiu novas modalidades de atendimento, uma nova percepção do ambiente hospitalar. De certa forma, é com satisfação que a gente tira lições desse momento para o futuro: de comprometimento, de engajamento e de toda a atenção possível aos nossos pacientes e à nossa sociedade paraibana”, declarou o gerente da GAS.

O registro do primeiro caso de covid-19 no Brasil, relembrou o gestor, impôs a adoção de novas práticas no HULW. “Partimos para a capacitação de nossos colaboradores, com relação à adequada paramentação e uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), através de encontros presenciais e, principalmente, de capacitações remotas no portal do próprio hospital; e procuramos distribuir, adequadamente, os EPIs aos servidores”, explicou Moisés Diogo de Lima. Em relação aos itens de proteção, o Hospital Universitário fez aquisições próprias, mas também contou com apoio da Ebserh, da gestão municipal e também de doações da comunidade. Desde o início do plano de enfrentamento da covid-19, o HULW investiu cerca de R$ 3 milhões na aquisição de EPIs, entre aventais, macacões, toucas, luvas e máscaras.

O Gerente da GAS também fez questão de destacar, nesse processo, a importância dos laboratórios de biologia molecular, do Centro de Ciências Médicas e da Escola Técnica de Enfermagem da UFPB, que atuaram em parceria com o Hospital Universitário. “Eles disponibilizaram de forma muito rápida, quando necessário, a realização do próprio teste molecular, o RT-PCR, que foi muito importante para estudos epidemiológicos e para o controle da doença no próprio hospital”, disse.

LEVANTAMENTO DESTACA MEDIDAS ADOTADAS

Um balanço parcial das ações desenvolvidas pelo Hospital Universitário mostra que, entre março e julho deste ano, foram assistidos na instituição 379 pacientes suspeitos de contaminação pelo coronavírus e houve confirmação da doença em 173 casos.

O HULW passou a atender pacientes com suspeita de covid-19 a partir de março. Inicialmente, a instituição era referência para o público infanto-juvenil, condição que permaneceu até 3 de maio. A partir de 4 de maio, o Hospital Universitário passou a atender, exclusivamente, o público adulto para casos suspeitos/confirmados de covid-19. Hoje, estão disponíveis no hospital 20 leitos de enfermaria e 14 de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Para manter o acompanhamento de pacientes em algumas especialidades (visto que em março consultas, exames e cirurgias eletivas foram suspensos), o hospital implementou um projeto de telemedicina, visando a atender os usuários de forma remota. Entre 18 de maio e 21 de agosto, foram registrados 8.028 atendimentos, que efetivaram 3.083 agendamentos on-line em 13 especialidades. “Sentimos a necessidade de continuar a atender os nossos pacientes e partimos para a modalidade de teleatendimento; uma experiência exitosa e muito proveitosa, executada em conjunto com a Gerência de Ensino e Pesquisa, na qual envolvemos mais de 60 profissionais”, declarou Moisés Diogo de Lima.