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Desculpem o tema recorrente, mas não vou me calar diante das ameaças veladas que o governador Ricardo Coutinho vem me fazendo através de inúmeros processos e agora usando a força policial para me constranger.

Mais do que o uso alucinado e abusivo da autoridade que tem, o governador promove um atentando à Constituição ao desrespeitar o direito à liberdade de expressão.

Iniciei a semana convocado para depor na Polícia Federal, onde entre outras coisas estou sob investigação por suspeita de autoria daqueles panfletos apócrifos distribuídos na campanha acusando o então candidato de ter feito um pacto com o diabo.

Como se não bastasse ter que explicar de onde tirei minhas idéias para escrever os artigos que escrevi e escrevo aqui neste blog, ontem fui notificado pela Polícia Civil e terei que comparecer a uma delegacia nesta sexta sob pena de responder pelo artigo 330 do Código Penal, que prevê prisão por desobediência.

O governador sabe que quem fez os panfletos foi seu próprio Coletivo e o que de fato ele quer é cercear a liberdade de expressão e amedrontar toda a imprensa me usando como bode expiatório.

Como deixar de denunciar a escandalosa tentativa de entrega do patrimônio público nessa negociata da doação de um terreno de setenta milhões ao milionário empresário Roberto Santiago, dono do Manaíra Shopping; como posso deixar de escrever sobre aquele negócio da Fazenda Cuiá, avaliada por dois milhões, mas adquirida na véspera da campanha por 12 milhões; não quero e não vou ficar quietinho como quer o governador diante da injustiça cometida contra os mais de vinte mil servidores públicos demitidos e com gratificações subtraídas do contracheque; é impossível ficar calado ao saber que um gari venceu uma licitação milionária na Emlur e que o irmão de Ricardo está envolvido até o pescoço; faço o meu papel quando questiono a entrega do Hospital de Trauma a uma Cruz Vermelha suspeitíssima; não pude, por fim, ficar calado diante da destruição da pista do Aeroclube ou da violência contra os professores dentro do Palácio da Redenção.

Não somos nós os jornalistas que inventamos os escândalos protagonizados por sua excelência, apenas noticiamos porque de fato existem e precisam chegar ao público.

Agora, um político com a formação humanista e democrática, reagir às críticas usando a força policial para intimidar é um escândalo ainda maior e me deixa preocupado e temeroso de que o próximo passo seja a eliminação física de quem não se dobra as pressões ou as ofertas financeiras.

Espero que a API, nossa entidade representativa e que nunca fugiu da luta pela liberdade de imprensa, se pronuncie e se posicione, pois os ataques não são apenas a este jornalista, mas a todos que abraçaram a difícil missão de manter a sociedade informada, custe o que custar.

Não é forjando uma rotina de convocações para depor em um tribunal ou em uma delegacia que o governador abafará a panela de pressão popular. Mandar viaturas com giroflex ligado a minha residência ou trabalho só realça ainda mais o viés autoritário deste governo.

Em tempo: irei a delegacia nesta sexta, mas aproveitarei a oportunidade para entregar a delegada denúncias contra o irmão do governador, principal suspeito no Escândalo do Gari.