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O empresário Eike Batista, o governador Sérgio Cabral, a mulher dele, Adriana Ancelmo, e Flávio Godinho, braço direito de Eike, estão na Justiça Federal do Rio para prestarem depoimento ao juiz Marcelo Bretas, no processo da Operação Eficiência. A audiência começou por volta das 14h desta segunda-feira (31).

Eike foi o primeiro a depor. Orientado a não responder várias das perguntas por seus advogados, o empresário ficou apenas 13 minutos de frente com o juiz Marcelo Bretas. Eike se recusou a falar, por exemplo sobre o relacionamento com o ex-governador Cabral. “Difícil saber o que posso perguntar para o senhor”, disse o juiz Bretas a Eike Batista.

Em seguida foi a vez de Godinho, que também optou por não responder as perguntas de Bretas. “O senhor pode, pelo menos, me responder o time para o qual torce?”, perguntou o juiz. “Flamengo”, respondeu Bretas. “Fechamos, então”, brincou o juiz.

 

A operação

 

A Operação Eficiência, deflagrada em 26 de janeiro, investiga crimes de lavagem de dinheiro, que consistem na ocultação no exterior de aproximadamente US$ 100 milhões (cerca de R$ 340 milhões). Segundo a investigação, a organização criminosa seria chefiada por Cabral, preso desde novembro e réu em 12 processos.

Outras sete pessoas tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.

O MPF identificou dois pagamentos suspeitos feitos por Eike Batista a Cabral. O primeiro deles, de US$ 16,5 milhões, se refere a um contrato falso de intermediação da compra de uma mina de ouro.

Outro, de R$ 1 milhão, feito à ex-primeira dama e mulher de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo. O escritório de advocacia dela teria recebido a propina numa simulação de prestação de serviços através da EBX, uma das empresas do conglomerado do empresário.

Adriana Ancelmo foi presa em dezembro do ano passado, na Operação Calicute, e hoje cumpre prisão domiciliar, em seu apartamento no Leblon. Ela é acusada de lavar dinheiro e ser beneficiária do esquema de corrupção comandado por Cabral.

Eike Batista também cumpre prisão domicilar – foi preso em janeiro deste ano. O empresário diz que desconhece o repasse de US$ 16,5 milhões.