Brasil

Discurso, ataque a Moro, manifestações contra e a favor e eleições; saiba tudo o que importa sobre a soltura de Lula

Tudo o que Lula precisava era de um palanque para ele fazer o que sabe de melhor: falar com os brasileiros. E para isso não precisou ir muito longe. Foi na frente da própria Polícia Federal, onde estava preso há cerca de um ano e meio. Em frente a jornalistas e militantes, o ex-presidente fez um discurso duro, endereçado a entidades e pessoas que, segundo ele, trabalharam para o por na cadeia “sem provas”.

“O amor vai vencer. Mas não o ódio vai vencer neste país”, disse, diante de aplausos dos militantes presentes. “As portas do Brasil estarão abertas para eu percorrer este país”, disse o petista, que criticou a situação do desemprego do país e se referiu a Bolsonaro como “mentiroso” em redes sociais.

O alvo principal, no entanto, como era de se esperar, foi o ministro Sergio Moro, juiz que o condenou em primeira instância quando na época ainda não ocupava ministério. Também citou o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato.

O petista falou em “safadeza” e “canalhice” do que chamou de “lado podre” de Ministério Público Federal, Polícia Federal, Justiça e Receita Federal. Setores que, segundo ele, trabalharam para criminalizar a esquerda, o PT e o próprio Lula. Veja parte do discurso do ex-presidente:

Mas nem somente críticas foi o discurso do petista. Lula também fez piada: “consegui a proeza de ir preso e ainda arrumar uma namorada”, disse o petista, que ainda fez questão de dar um beijaço na namorada.

Após o discurso, ele visitou os espaços da vigília montada em homenagem a ele.

Eleições 2020

Mesmo solto, Lula não pode se candidatar. O petista está enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que veta a candidatura de quem tem condenação em segunda instância. Segundo a lei, Lula só poderá ser candidato oito anos depois de ter cumprido sua pena. Não considerando outras eventuais condenações, isso aconteceria a partir de 2035, quando terá 89 anos. Agora, porém, a execução da pena foi interrompida, e não há novo prazo definido.

Manifestações

O senador americano, Bernie Sanders, se manifestou sobre a soltura do ex-presidente. ” “Como presidente, Lula fez mais do que qualquer um para diminuir a pobreza e representar os trabalhadores. Estou feliz que ele saiu da cadeia, algo que nunca deveria ter acontecido para começar”, escreveu o senador americano Bernie Sanders no Twitter.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, comemorou em um post no Twitter a libertação do ex-presidente Lula. “É bom saber que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio “Lula” da Silva acaba de ser libertado. Eu o espero o mais rápido possível em Paris, onde ele é cidadão honorário”, diz a postagem.

O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, e sua vice, Cristina Kirchner celebraram a soltura do ex-presidente Lula (PT). “Comove a força de Lula para enfrentar essa perseguição”, escreveu Fernández. “Sua fortaleza demonstra não só o compromisso, mas também a imensidão desse homem.”

“Acaba hoje uma das maiores aberrações da lei na América Latina”, afirmou a ex-presidente e agora vice eleita da Argentina.

Em nota, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou que “decisão judicial se respeita”, mas alertou para o avanço do clima de intolerância no país: ” polos extremos preferem se hostilizar ao invés de dialogar”.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro não compareceu a entrevista programada e evitou os veículos de imprensa nesta sexta-feira (8), em Goiânia, após a expedição da ordem de soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

O presidente viajou a Goiânia para cerimônia de entrega de 214 ônibus escolares do Caminho da Escola. O programa federal foi lançado em 2007, quando o petista estava à frente do Palácio do Planalto.

Durante a cerimônia, minutos depois da decisão do juiz federal Danilo Pereira Junior ter sido expedida, um assessor do Palácio do Planalto se dirigiu ao presidente, na tribuna de honra, e mostrou a tela de seu celular a Bolsonaro. O presidente ouviu em silêncio e, após alguns minutos, cochichou ao ouvido do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que estava sentado ao seu lado.

Próximo a discursar, o presidente não tocou no assunto e, na sequência, deixou o local da solenidade, sem comparecer a entrevista de imprensa programada anteriormente. A saída de Bolsonaro surpreendeu até mesmo a sua equipe de comunicação.

Da redação com informações da Folha de São e do O Globo

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