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Gilvan Freire

Se o poder público precisa fazer alguma ação que seja de certa forma boa para o governante, ainda que não seja tão boa assim para o povo, tenha-se por certeza que a ação terá o máximo de possibilidade de ser feita. Em determinados casos, dependendo do gestor entender que lhe vale muito a pena, a ação será realizada mesmo por cima de pau e pedra, ou dos três ‘pês’: pau, pedra e povo. 

Os políticos, no regime de permissibilidade com que atuam em nosso país, podem tudo depois de eleitos, inclusive roubar e enriquecer ilicitamente, um ideal muito particular de cada um mas que, contraditoriamente, somente pode consumar-se com o aval do eleitor nas urnas. Essa é uma democracia ladina e desviada que educa pelos privilégios, e não pelos deveres. Daí porque esses filhos da democracia são uns filhos da p… – e não tem pai moral para regrá-los. 

A democracia, que é o único regime das maiores possibilidades de tudo, inclusive de não dar certo, é o mais compatível com a gestão pública honesta. Pela razão mais simplória: quem elege é quem fiscaliza e controla. Logo, se não há fiscalização nem controle, o erro é de quem?

No Bairro São José, em João Pessoa, a democracia só tem uma mão, por onde transita o poder público. Ao povo restam as vielas e o mangue. Mas essa é apenas uma amostra do poder que tem o povo de constitui autoridades e dirigentes públicos que, passadas as eleições e por causa de seus próprios e primordiais interesses, humilham e pisam os eleitores, quando não lhes perpetuam na sarjeta. 

A SOCIEDADE PRECISA COMPREENDER O DIREITO DOS POBRES

Segundo as principais lideranças internas do Bairro São José (uma unha de pobres fortemente encravada num dedo de ricos) a comunidade tem algo em torno de 18 mil habitantes, tamanho igual ou superior a dezenas de municípios da Paraíba. Ainda com esses líderes, há ali, aproximadamente, 20% de envolvidos com drogas e não mais de 10% com a delinquência. Para quem achar muito, é bom lembrar que em cidades nordestinas do mesmo porte, especialmente nos entornos metropolitanos, ou até mesmo em cidades maiores com essas características, a situação pode ser ainda mais grave. 

Ou seja, a população do bairro São José vive a situação típica de outros aglomerados urbanos do Brasil, onde são circunvizinhos pobreza e riqueza no mesmo território onde a linguagem humana é a mesma mas entendida de forma diferente por ricos e pobres. 

Se você caro leitor, é uma pessoa muito consciente de seus direitos e capaz de defendê-lo com unhas e dentes, leia o artigo desta quarta-feira, que já está pronto, analisando ponto por ponto esse projeto de reurbanização do bairro São José. Se seus interesses imediatos forem contrariados, não fique triste, você há de sair feliz como cidadão, fortalecendo sua consciência, não em relação a seus próprios direitos, que você sabe como defender, mas em relação aos que não sabem, ou não tem como se defender.