A ex-prefeita de Piancó, no Sertão da Paraíba, Flávia Galdino, foi condenada a nove anos de prisão em regime fechado e ao pagamento de multa de R$ 17,3 mil por irregularidades envolvendo recursos federais durante sua gestão. A decisão foi proferida pelo juiz substituto da 8ª Vara Federal e também condenou outras três pessoas, segundo informações publicadas pelo Leia58.
O caso teve origem em uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que apontou possíveis fraudes em processos licitatórios para a compra de materiais médicos e odontológicos. De acordo com a acusação, os procedimentos teriam sido divididos indevidamente para favorecer uma empresa do setor farmacêutico.
As licitações foram realizadas em um curto intervalo de tempo, em 2008, e movimentaram R$ 869.960,15. Para o Ministério Público, o valor total exigia uma modalidade de contratação mais rigorosa, em vez da divisão dos procedimentos adotada na ocasião.
Justiça aponta indícios de irregularidades em licitações
O juiz destacou na sentença que o curto período entre as solicitações para abertura das licitações, as irregularidades encontradas e a falta de justificativa para o fracionamento indicam que os procedimentos foram previamente direcionados à empresa beneficiada. A defesa de Flávia Galdino sustentou, nos autos do processo, que não havia provas suficientes para comprovar a fraude.
A defesa pretende recorrer da decisão ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife (PE). Entre os argumentos apresentados, a defesa alega que as empresas modificaram os preços de apenas alguns produtos, sem alterar o valor total, e que, apesar do critério de julgamento ser de “menor preço”, as ofertas foram avaliadas com base no valor global, o que configuraria fraude.

Controvérsias políticas e o apoio a Nabor Wanderley
A condenação de Flávia Galdino ocorre em um contexto de intensa atividade política na Paraíba. A ex-prefeita, que é médica, gerou repercussão ao apoiar Nabor Wanderley (Republicanos) para o Senado Federal, em detrimento de Veneziano Vital (MDB), que foi derrotado na eleição. Este movimento político, que incluiu um evento público onde Flávia agradeceu recursos destinados a Piancó pelo senador Veneziano, foi visto por muitos como uma contradição e traição.
A manobra política, que envolveu também o filho da ex-prefeita, Daniel Galdino, e o atual prefeito Eduardo Julho, foi criticada por diversos setores. A fonte relata que dezenas de prefeitos, beneficiados por emendas do senador Veneziano, também mudaram seu apoio para Nabor Wanderley sem maiores explicações, o que gerou acusações de oportunismo e falta de ética.
Desgaste político e o futuro da família Galdino
Mesmo com os recursos e articulações políticas, a ex-prefeita Flávia Galdino não conseguiu impedir que o eleitorado de Piancó votasse em Veneziano Vital para o Senado. O episódio resultou em um desgaste e desmoralização política para Flávia Galdino e seu staff em toda a Paraíba, segundo a fonte. A percepção é que nenhum líder político de credibilidade confiará mais na ex-prefeita, vista como uma traidora.
Em resumo, o staff político da família Galdino no Vale do Piancó enfrenta um cenário de pior conceito ético e moral. Flávia, seu filho Daniel e o atual prefeito Julinho (Eduardo Julho) são apontados como representantes do que há de pior na política paraibana, segundo a análise apresentada.
O aguardo do cumprimento da pena
Apesar dos intermináveis recursos judiciais que visam, segundo a fonte, procrastinar a execução da pena, a expectativa é que Flávia Galdino seja surpreendida a qualquer momento para o cumprimento de sua pena criminal. A condenação por supostos desvios de recursos financeiros marca um ponto de virada na trajetória da ex-prefeita, que alega inocência, mas cuja defesa foi contestada pelo Ministério Público Federal.




