Poucos sabem, mas sou filho de Cacimba de Dentro e, como minha mãe, amo a minha terra de origem, apesar da distância que sempre nos separou.
Saí dali com quatro meses em uma lambreta e pelo anel do Brejo fui morar. Depois, vim de vez para Jampa, ali na Primeiro de Maio, em frente a antiga Escola Industrial, pertinho do chafariz, em Jaguaribe, onde bonde um dia deu a volta.
Onde é a Feira de Quarta Feira, já foi o campo do Botafogo e as nossas peladas de criança eram filmadas para exibição nos EUA.
Banho de rio era no Varjão, mas nunca peguei cistosoma, como alguns que moravam no aceiro da Mata do Buraquinho.
Em Jaguaribe, convivi com Chico César, Pedro Osmar, Emanoel Noronha, Marcos de Dona Napção e Biu de Miltão Doidão.
Mas, sempre quis voltar pra Cacimba, como Alceu quis ir danado pra Catende. Pensei em ser prefeito, gastando tudo que consegui, ter lá uma concessão de rádio e criar a fundação Casa de Mãe Ana, mas os Alcântaras são desunidos.
Naquela curva de subida após o rio Curimataú, fiquei balançado com as lembranças de minha mãe Edileuza, sobre a fazenda Balanço, onde ela, meus tios e tias foram criados sob a batuta de Padrinho, meu avô perrepista.
Venci, ganhei o mundo, dinheiro, reconhecimento aqui e onde só os fortes sobrevivem, mas, sinceramente, nunca sai de Cacimba e ainda me vejo morando vizinho ao cinema e vendendo as cocadas divinas da minha avó.
Finalizo esse artigo ouvindo Aguinaldo Timóteo cantar “se algum dia a minha terra eu voltar”.
Dércio Alcântara




