Quando ainda era pequeno, duas datas no ano subiam o meu astral de introspectivo e hiper focado. Meio de ano e fim de ano.
Nos primeiros quinze dias de férias eu ficava observando o meu avô Tata compor hinos em um diapasão. O restante do mês eu passava em Cacimba de Dentro com primos e primas, sempre adulado por minha avó Mãe Ana e as tias Bibi e Bem.
Hoje, amanheci com a notícia que minha querida Tia Bem nos deixou, mas não fiquei triste com sua partida, pois estava vegetando em um daqueles prolongamentos que segura a força aqui na terra quem já está sendo espetada no céu.
O nome dela era Erotides, mas todo mundo chamava de Bem, pois era o bem em pessoa, doce, generosa e muitas vezes até hilária.
Bem só fez o bem nessa vida de tantas maldades. E se o céu existe e se é pra lá que os de alma clara vão, Bem com certeza neste momento está acenando pra nós da porta do céu.
Branca como a neve, Tia Bem era resiliente e resistiu o quanto pode às pedras do caminho, preservando a doçura e a ingenuidade de quem ganhou de presente um nome que reflete que ela era Bem, do bem.
Dércio Alcântara




