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Direto de Brasília onde se encontra articulando a aprovação do Orçamento Geral da União (OGU) para o exercício de 2012, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) disse que recebeu com preocupação os dados contidos da Rede Nacional de Informações sobre Investimentos (Renai), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), que fez um diagnóstico do Nordeste e mostrou que a Paraíba ainda está perdendo investimentos para outros estados da região, estando, portanto, carente de investimentos.

Segundo ele, com apenas US$ 347,5 milhões em volume de investimentos entre janeiro e outubro deste ano, a Paraíba é apenas o sétimo entre os nove estados do Nordeste no ranking de captação de investimentos privados. O Estado só ficou à frente de Alagoas e Sergipe, e com participação de 1,5% do total de US$ 23,6 bilhões de aportes recebidos pelos estados nordestinos este ano.

 

Vital disse que viu com preocupação a informação dando conta de que a Paraíba está perdendo investimentos para estados com indicadores econômicos menores, como Rio Grande do Norte e Piauí. Já a diferença com a Bahia, líder do ranking na região e quarto maior destino de captação no Brasil, é colossal. De janeiro a outubro, os baianos receberam US$ 10,5 bilhões, 44,6% de todo o aporte para a Região.

Nos dez meses de 2011, a Paraíba recebeu apenas três investimentos. O maior deles, a construção da fábrica de cimento da Brennand, que representa 98% do total, com um investimento de US$ 341,61 milhões, na cidade de Pitimbu, Litoral Sul. O outro é a implantação de um terminal para armazenagem de grãos da empresa de logística Top Log, em Cabedelo, que terá um montante de US$ 5,03 mi, enquanto a construção da nova sede da escola de idiomas Cenid, em Campina Grande, custou US$ 880 mil. “É um dado preocupante o que exige de todos os agentes públicos e da sociedade em si, um engajamento para mudar esse quadro”, apelou. Na condição de presidente da Comissão Mista do Orçamento (CMO), Vital disse que procurou fazer a sua parte, criando mecanismos que diminuam essas desigualdades.

A região Nordeste conforme observou o senador vive vários mundos diferentes e várias realidades. Ele lamentou o fato do vizinho estado de Pernambuco ter conquistado uma fábrica da Fiat bem como, mais um porto, enquanto que a Paraíba não avançou nesse campo. Para tentar recolocar o Estado no caminho do desenvolvimento, Vital disse que já apresentou várias propostas no Plano Plurianual (PPA 2012/2150), como a inclusão de um ramal da Transnordestina ligando Cabedelo a Cajazeiras; a estruturação e modernização do Porto de Cabedelo, a implantação de um porto de águas profundas entre outras.

 

Quem concorda com o posicionamento do senador paraibano é o coordenador-geral da Renai, Eduardo Celino, onde afirma que a quantidade de investimentos não tem relação direta com o tamanho da economia de cada Estado, mas com o clima para investimentos e a disposição das empresas em investir em determinadas regiões. “Os estados menores precisam se colocar em evidência aos olhos dos investidores, não podem se esconder. Por serem mais conhecidos, os estados do Centro-Sul recebem habitualmente mais investimentos”, analisa.

Eduardo Celino diz ainda que os grandes aportes de investimentos em estados como Bahia, Maranhão e Pernambuco são reflexo de um trabalho que eles vêm desenvolvendo para se colocar em evidência, já que “os investimentos não vêm por acaso”. O coordenador-geral lembra que, além da visibilidade, o Estado tem de apresentar propostas viáveis e vantajosas para as empresas, e que os incentivos fiscais e a capacitação da mão de obra são preponderantes na decisão. “É bom a Paraíba se preparar, pois o Brasil e o Nordeste entraram de vez na rota dos grandes investimentos da economia mundial “, apontou o coordenador.