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CARTA AO POVO PARAIBANO

Prezados amigos,

Comunico ao povo paraibano e ao presidente do PMDB o meu desligamento do partido. A decisão, tomada com tristeza, após meses de conversações internas infrutíferas e muita reflexão, foi movida por sentimento de profunda incompreensão com o silêncio e a falta de clareza da direção do partido na Paraíba, especialmente quanto à participação na sucessão municipal de Cabedelo nas eleições de 2012.

É de conhecimento público a disposição já manifestada há meses por mim de disputar a eleição municipal e ter a honra de ser prefeito de Cabedelo, cidade que por duas eleições consecutivas me deu expressiva votação, e a qual levantei várias bandeiras como a luta para manter os bares e restaurantes na Praia do Jacaré, alerta aos índices alarmantes do consumo de drogas na cidade, luta permanente em favor da dragagem do Porto de Cabedelo, que é o coração da cidade, como também ações em todas as regiões do Estado: hospitais, estradas, escolas creches, ginásios esportivos, praças, entre outros.

Não exigi do PMDB cargos nem estrutura. Pedi apenas motivação, apoio e solidariedade para debater o futuro da cidade e o projeto do partido para Cabedelo.

Entretanto, estabeleceu-se um constrangedor silêncio sobre o tema e multiplicaram-se evidências – públicas – de que o partido preferia outro caminho: a indiferença e a falta de solidariedade foram incompreensíveis, diferente do meu comportamento no partido em todas as bandeiras que abracei.

Dos seis mandatos que tive, 5 foram pelo PMDB, tendo obtido 35.622 votos na última eleição. Fui parlamentar de oposição durante 14 anos, inclusive rompendo com o ex-governador do PSDB, Cássio Cunha Lima, com apenas 5 meses de mandato(na época era deputado eleito pelo PSDB em 2003, o quarto mais votado dos 18 eleitos pela coligação).

Tenho sido convocado por grandes correntes de opinião popular, independentemente de preferências partidárias, a ser instrumento do crescente desejo de mudança e da consolidação de um  projeto inovador para Cabedelo. A vontade que me move foi construída sobre a certeza de que posso contribuir – e em especial sobre o apoio de centenas de milhares de cabedelenses  que ao longo dos anos vêm me confiando seus votos. Cabedelo será vitrine não só para a Paraíba, mas para o País, pelo seu potencial econômico e pela experiência que adquirimos em 6 mandatos consecutivos.

Para auxiliar e influenciar na vida pública é preciso atitude, ousadia. Assumir riscos! E, por isso, esgotadas as possibilidades de manter-me no PMDB, vou às ruas para debater e construir projetos e planos. Vou ao encontro do futuro! Estarei também atendendo à voz das ruas que, inegavelmente, clama pela renovação na administração da cidade. Fechou-se um ciclo na política estadual. E esta tendência irá refletir-se nas eleições municipais. São claros os motivos pelos quais cresce esse desejo de mudança.

Sei que o povo da Paraíba entenderá meu gesto. Saio do PMDB sem mágoas. Deixo no partido amigos que me honraram com apoio, prestígio e ensinamentos. Cito Gervásio Maia, saudosa memória, Humberto Lucena, Antônio Mariz, Veneziano Vital, Vitalzinho, Manuel Júnior, Gervásio Filho, André Gadelha, José Maranhão, Francisca Mota, Roberto e Raniere Paulino, Wilson Santiago e Wilson Filho, Nilda Gondim, Fernando Milanez, Olenka e Benjamim Maranhão e tantos outros estado afora que me conhecem e sabem do meu esforço, da minha determinação e da minha vontade de fazer e acertar.

Saio com a consciência tranquila de quem serviu com dignidade e fidelidade ao meu estado e  ao PMDB. Como diz Fernando Pessoa: “Cumpri contra o destino o meu dever. Inutilmente? Não, porque o cumpri.”

Entro em um novo partido(PSD) que terei a certeza do apoio para demonstrar minha força de trabalho ao povo paraibano, a quem devo meu mandato e que continuarei honrando-os. Peço compreensão e respeito à minha decisão, porque a vida nos mostra que tudo passa e o que pode parecer incompreensível ou incoerente hoje, há de ser considerado como um ato de coragem e semente plantada em prol de um projeto a favor da Paraíba. Como diz o Barão de Itararé: “Não é triste mudar a ideia; triste é não ter ideia para mudar”.

Agradeço a Deus e todos que ajudaram nesta trajetória.

Sigo um novo caminho. Vamos em frente! Nada de parar!

Paraíba, 4 de outubro de 2011

Humberto Trocolli Junior

Deputado Estadual