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Uma bienal para a história. Assim foi o evento literário no Rio de Janeiro marcado por uma tentativa de censura do prefeito Marcelo Crivella e pela forte reação de participantes e não participantes do evento. Não bastou fazer, mas o prefeito teve que anunciar nas redes sociais que havia enviado à organização do evento uma determinação para recolher cópias de HQ’s que continham imagens de dois homens se beijando.

No vídeo, Crivella diz que o quadrinho “traz conteúdo sexual para menores” e que, por isso, deveria circular embalado em plástico preto, lacrado, com um aviso sobre o teor do conteúdo.

No meio do evento, cenas como essa do vídeo abaixo foram repetidas diversas vezes no final de semana em manifestação à ação do gestor municipal: “não vai ter censura”.

Na internet, a mobilização ganhou diversas hashtags, sendo apoiada por ativistas, estudantes e famosos.

Um caso que ficou muito famoso e ganhou muitos elogios foi o do youtuber Felipe Neto, que encontrou uma forma criativa de apoiar a causa. O jovem comprou 10 mil exemplares de livros voltados ao público LGBT com o objetivo de distribuir dentro do evento. Neto ainda fez questão de encapar os livros com a seguinte mensagem: “este livro é impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas”.

A tentativa de censura acabou ajudando na promoção daquilo que se queria censurar. A ação acabou dando mais visibilidade e trazendo mais público para o evento. A organização da Bienal chegou a falar em crescimento de 60% nas vendas ante 2017. Foi o caso da editora Valentina. No mesmo sábado de 2017, ela havia vendido cerca de R$ 12 mil em livros. Neste agora, foram R$ 35 mil.

Da redação