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O presidente Michel Tremer não queria tão cedo ser interrogado pela Polícia Federal na condição de investigado pelos crimes de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa.

Perdeu. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal (STF), autorizou a Polícia Federal a interrogá-lo já, por escrito como manda a lei. Temer terá 24 horas para responder às perguntas.

Temer queria responder a inquérito sozinho, desvinculado do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, o homem filmado com uma mala de dinheiro correndo por uma rua de São Paulo.

Perdeu. Fachin disse que há indícios veementes de que os dois possam ter atuado juntos.

Temer pediu que o STF designasse outro relator para seu caso.

Perdeu. Seu caso seguirá aos cuidados de Fachin.

Para Temer, o melhor seria que o inquérito se arrastasse, dando-lhe tempo para tentar recompor sua base de apoio no Congresso.

Perdeu. Fachin deu um prazo de 10 dias para que a Polícia Federal encerre as investigações.

Os dias têm sido assim para o primeiro presidente da República de nossa história investigado pelo STF.

Quem mandou Temer receber no porão do Palácio do Jaburu, tarde da noite, a visita clandestina de um empresário investigado pela polícia?

Quem mandou ele falar o que o empresário gravou e depois entregou à Procuradoria Geral da República?

A defesa de Temer avisou Fachin que ele não responderá a nenhuma pergunta sobre o conteúdo da gravação. Motivo: ela ainda está sendo periciada pela Polícia Federal.

Temer jamais contestou o que disse na gravação. Argumenta, apenas, que uma frase ou outra que tenha dito possa ter sido trocada de lugar.

O buraco é mais embaixo. Temer, por exemplo, ouviu o empresário confessar que subornara um procurador da República e que “segurara dois juízes”, e nada fez. Apenas comentou: “ótimo, ótimo”.

E ao empresário indicou como seu homem de confiança o homem da mala.

O dinheiro (R$ 500 mil) seria para Temer, acusou o empresário. Temer nega.

Rocha Loures entregou à Polícia Federal a arma do crime – ou melhor, a mala, com R$ 35 mil a menos. Depois devolveu os R$ 35 mil. Tem razão de estar abalado emocionalmente e sob pressão da família para que delate.

Fachin está certo em querer apressar o fim do inquérito. Está tudo aí para quem quiser ver, se indignar ou se manter indiferente.

Fonte: O Globo